O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Debates Europeias. João Cotrim de Figueiredo: Livre “queria taxar” a introdução de “mecanismos de automação” que “custassem empregos”?

Política
O que está em causa?
O debate desta noite, transmitido na SIC, entre os cabeças de lista às eleições europeias de quatro dos partidos com representação na Assembleia da República ficou marcado por uma acesa troca de palavras entre João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal) e Francisco Paupério (Livre). Confirma-se, tal como disse o liberal, que o Livre “queria taxar” cada “mecanismo de automação que custasse um emprego”?
© Lusa

“Na cabeça do Livre, a transição e o crescimento económico, na Europa, vai fazer-se contra a inovação”: as palavras foram proferidas, esta noite, pelo cabeça de lista do Iniciativa Liberal às eleições europeias, num momento de divergência com o representante do Livre, Francisco Paupério.

Quando se debatiam as diferentes visões que cada um tinha sobre o caminho a seguir para que a União Europeia atinja um sustentado crescimento económico, o antigo líder dos liberais apontou que “é muito bonito falar em ninguém ficar para trás, mas para isso é preciso recursos” – tendo acusado o Livre e os Verdes Europeus (grupo político europeu do qual o partido liderado por Rui Tavares é membro) de “criar empecilhos”.

E concluiu o raciocínio: “O Livre queria taxar a automação. Cada mecanismo de automação que custasse um emprego era taxado.” Verdade ou mentira?

Consultando o programa eleitoral do Livre para as eleições legislativas de 2024, advoga-se a necessidade de “preparar as mudanças no mundo do trabalho”, através de uma série de medidas.

Uma delas previa o seguinte: “criação de uma taxa ou contribuição de caráter extraordinário ou suplementar aplicada às organizações e empresas que despeçam ou extingam postos de trabalho, por introdução de automação e que recorram a software baseado na aprendizagem automática e modelação de contexto por dados para este fim, ou com uma assinalável desproporção entre número de trabalhadores e lucro realizado – no caso de empresas tecnológicas, por exemplo.” Ou seja, precisamente o que disse João Cotrim de Figueiredo. 

O partido aponta ainda a necessidade “de taxar o lucro das empresas e não os seus trabalhadores, de forma a responder também à adoção da digitalização e automação”.

_______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque