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Debates Europeias. Francisco Paupério: “Estima-se que, até 2050, vão existir 200 milhões de refugiados climáticos”

União Europeia
O que está em causa?
O novo Pacto para as Migrações e Asilo da União Europeia esteve em destaque no debate entre os cabeças-de-lista do PS, Aliança Democrática, Iniciativa Liberal e Livre, transmitido ontem à noite na SIC. Uma discussão que levou o representante do último destes partidos, Francisco Paupério, a destacar o que considera ser um “ponto fundamental”: o elevado número de refugiados que, até 2050, serão causados pelas alterações climáticas.
© António Cotrim/Lusa

“Estima-se que, até 2050, vão existir 200 milhões de refugiados climáticos”: a afirmação foi proferida por Francisco Paupério, cabeça-de-lista do Livre às eleições europeias de 9 de junho, em comentário sobre a reforma da política de migração e asilo da União Europeia.

Segundo elaborou o candidato, tais “refugiados climáticos vêm, sobretudo, das zonas do Médio Oriente e do norte de África”, com “o objetivo de chegar à União Europeia, à procura da liberdade e da democracia que tanto defendemos”. Pelo que, concluiu, tal pacto, aprovado há cerca de um mês pelo Parlamento Europeu após quatro anos de discussão, “não está preparado para esse acontecimento”. 

Mas será que se confirma que, tal como apontou Francisco Paupério, as estimativas apontam para “200 milhões de refugiados climáticos” até 2050?

Sim. A cifra não é propriamente recente e foi mencionada, pela primeira vez, pelo ambientalista britânico Norman Myers. Segundo um relatório da Organização Internacional para as Migrações, publicado em 2008, a “estimativa do Professor Myers de 200 milhões de migrantes climáticos até 2050 tornou-se o número aceite – citado em publicações respeitadas, desde o IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas] até ao Relatório Stern sobre a Economia das Alterações Climáticas”. 

Sobre estas estimativas, o site oficial desta entidade destaca ainda: “As previsões futuras variam entre 25 milhões e mil milhões de migrantes ambientais até 2050, que se deslocam dentro dos seus países ou através das fronteiras, numa base permanente ou temporária, sendo 200 milhões a estimativa mais citada. Este número equivale à estimativa atual de migrantes internacionais em todo o mundo.”

Exemplo disso é, precisamente, o relatório “Groundswell”, publicado em 2021 pelo Banco Mundial – o qual “conclui que as alterações climáticas, um fator de migração cada vez mais potente, poderão obrigar 216 milhões de pessoas em seis regiões do mundo a deslocarem-se dentro dos seus países até 2050”.

Perante estes factos, consideramos ser verdadeira a afirmação de Francisco Paupério.

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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