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Debates Europeias. Fidalgo Marques: “Nas legislativas [de 2022], Catarina Martins punha em causa a NATO”

Política
O que está em causa?
Ao comentar a posição expressa pela ex-líder do Bloco de Esquerda sobre a guerra na Ucrânia, no debate de ontem na rádio "Observador", o candidato do PAN salientou que "agora está a falar da NATO sem pôr em causa a saída da NATO", ao contrário do que teria feito nas legislativas.
© Agência Lusa / José Sena Goulão

No debate de ontem à tarde (22 de maio) na rádio “Observador”, entre Catarina Martins (BE) e Pedro Fidalgo Marques (PAN), a candidata bloquista tinha acabado de defender que a União Europeia deve ajudar a Ucrânia na guerra contra a Rússia mas sem com isso fazer “escalar” o conflito militar.

Perante estas declarações, o candidato do PAN ironizou: “Até fico feliz pela Catarina Martins que se calhar nas legislativas punha em causa a NATO e agora está a falar da NATO sem pôr em causa a saída da NATO.”

Confirma-se esta mudança de discurso do BE sobre a NATO?

Sim. O Programa Eleitoral 2022-2026 do BE, mais especificamente no capítulo sobre política externa, propõe a “saída de Portugal da NATO e defesa do desarmamento negociado e com uma base multilateral, rejeitando inequivocamente todos os cenários de aproximação à formação de um exército europeu”.

Para justificar essa posição aponta-se que “uma política externa assente nos direitos humanos e na solidariedade implica igualmente a rejeição da participação na NATO e nas suas operações militares”, por entre várias críticas ao papel desempenhado pela NATO.

“De todas as políticas de que se faz a política em Portugal, a política externa é porventura aquela em que o consenso centrista se afigura mais blindado. O argumento de que se trata de uma ‘política de Estado’ e que, por isso, deve estar imune às mudanças de política interna é o álibi com que se perpetua o grande consenso do bloco central: uma soma da sacralização da disciplina da NATO com uma leitura mercadocêntrica (e, por isso, desvitalizada) da Europa”, acusa-se.

Para os bloquistas, a “aceitação de aumentos de despesa com a Defesa, com a qual o Governo português se comprometeu junto das instituições europeias e da NATO, choca abertamente com a insuficiência de recursos para políticas de investimento e de qualificação dos serviços públicos” – o que resulta do “seguidismo” em relação à NATO.

Em suma, é verdade que o BE defendia a saída de Portugal da NATO nas eleições legislativas de 2022 (que se realizaram cerca de um mês antes do início da guerra na Ucrânia, importa recordar).

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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