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Debates Europeias. Duarte Costa (Volt): Países da UE investem tanto em Defesa “como a China ou a Rússia”

Política
O que está em causa?
No debate de ontem na RTP, o candidato do Volt apresentou a proposta de criar as "Forças Armadas europeias" que conjugariam "a despesa nacional em Defesa" dos 27 Estados-membros. "Quando somamos em conjunto estamos a falar de uma ordem de grandeza como a China ou a Rússia investem" na Defesa, sublinhou. Verificação de factos.

Em relação à guerra na Ucrânia e política de Defesa da União Europeia, as opiniões divergiram acentuadamente no debate de ontem à noite, na RTP, entre nove candidatos (de partidos sem representação parlamentar) às eleições para o Parlamento Europeu. Por exemplo, ao passo que alguns dos intervenientes criticaram o apoio militar à Ucrânia e os gastos em armamento, já Duarte Costa do Volt pugnou mesmo pela criação das “Forças Armadas europeias“.

Na perspetiva de Duarte Costa, a União Europeia “precisa de mobilizar a capacidade de Defesa que temos nos Estados nacionais para um projeto de Defesa comum. Aliás, esta é uma posição que muitos especialistas defendem em toda a União Europeia”.

O cabeça-de-lista do Volt salientou depois as vantagens dessa conjugação de forças militares. “Se nós olharmos para a despesa nacional em Defesa dos vários países, sozinhos temos sido até muito criticados que temos investido pouco em Defesa, mas quando somamos em conjunto estamos a falar de uma ordem de grandeza como a China ou a Rússia investem“, sublinhou.

Para Duarte Costa, “o problema é que estamos a fazer isto de forma nacional e espalhada”, daí a necessidade de “caminhar para ter Forças Armadas europeias” e conjugar os investimentos nacionais em Defesa.

Confirma-se que os países da União Europeia, em conjunto, investem em Defesa numa “ordem de grandeza como a China ou a Rússia”?

De acordo com os últimos dados do Banco Mundial, referentes ao ano de 2022, a despesa militar da Rússia ascendeu a 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB), muito superior às registadas pela China e pelos 27 Estados-membros da União Europeia que rondaram 1,6% do PIB.

Por outro lado, o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) já apresentou dados referentes ao ano de 2023, indicando que os gastos com Defesa da Rússia escalaram para o nível de 5,9% do PIB, enquanto a China e os países da União Europeia permanecem abaixo da fasquia de 2% do PIB.

Mesmo que Duarte Costa estivesse a referir-se a valores absolutos, também não há uma equivalência na “ordem de grandeza”. Os dados do Banco Mundial, referentes a 2022, indicam que a China gastou cerca de 292 mil milhões de dólares, um valor superior ao dos países da União Europeia em conjunto (258 mil milhões) e da Rússia (86 mil milhões).

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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