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Debates Europeias. António Tânger Corrêa: “Nunca na história do Brasil houve tanto desmatamento como agora, com Lula da Silva”

União Europeia
O que está em causa?
António Tânger Corrêa, do Chega, esteve esta manhã "frente" a Francisco Paupério, do Livre, para o primeiro debate a dois desta preparação para as europeias de junho. Na rádio Observador, o candidato da direita radical recorreu a uma teoria que há muito circula nas redes sociais: a de que o desmatamento da Amazónia nunca foi tão elevado como agora, com Lula da Silva no poder. É falso.
© Tiago Petinga/Lusa

No frente a frente desta manhã, na rádio Observador, o cabeça de lista pelo Chega afirmou que a França é um dos principais culpados pelo desmatamento na Amazónia, “facto” ao qual acrescentou o de que “nunca na história do Brasil houve tanto desmatamento como agora, com Lula da Silva, ao contrário do que se faria prever”.

Tal como o Polígrafo – e outros orgãos de fact-checking, nomeadamente brasileiros – já verificou. é falso que o desmatamento tenha atingido valores recorde agora, com Lula da Silva. Os dados oficiais de desmatamento na Amazónia são aferidos pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) – pode consultar aqui – e mostram que durante o período da Presidência de Lula da Silva (entre 2003 e 2010) registou-se um total de 125.494 km² no âmbito do desmatamento da Floresta Amazónica Brasileira, perfazendo uma média anual de 15.686 km².

Mais recentemente, durante o período da Presidência de Jair Bolsonaro (desde 2019) registou-se um total de 34.018 km², perfazendo uma média anual de 11.339 km².

Nos últimos dados disponíveis, relativos a 2023, o desmatamento terá sofrido uma queda muito significativa, para os 9.1 km². Sendo verdade que o desmatamento da Amazónia quase bateu o ponto máximo (29.059 km² em 1995) nos dois primeiros anos de Lula da Silva na Presidência do Brasil (25.396 km² em 2003 e 27.772 km² em 2004), o recorde continua a pertencer à presidência de Fernando Henrique Cardoso que, em 1995, acumulou uma desflorestação com uma área total de 29.059 km².

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Avaliação do Polígrafo:

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