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Debates Europeias. António Tânger Corrêa: “40% da população portuguesa está num nível de pobreza”

Política
O que está em causa?
O candidato ao Parlamento Europeu pelo Chega alegou ontem à noite, em debate na RTP, que "temos aqui um problema, é que 40% da população portuguesa está neste momento num nível de pobreza". Verificação de factos.

Do problema dos imigrantes junto à Igreja dos Anjos (em Lisboa) que, segundo António Tânger Corrêa, vivem pior do que as pessoas que viu em campos de refugiados, o vice-presidente do Chega saltou para o “problema” da população portuguesa: “Estive no outro dia na Igreja dos Anjos e vi a maneira como aquelas pessoas imigrantes vivem condições absolutamente desumanas. Visitei ao longo da minha carreira vários campos de refugiados na Jordânia, no Egipto, visitei campos de refugiados naquela zona toda, e vou-lhe dizer uma coisa com grande peso no coração: Essa gente vive melhor do que eles. E por outro lado temos aqui um problema, é que 40% da população portuguesa está neste momento num nível de pobreza.”

As declarações foram proferidas no debate de ontem à noite, transmitido na RTP, em que a imigração foi um dos temas principais e António Tânger Corrêa errou quando se referiu à criminalidade na imigração brasileira. No que diz respeito à percentagem de população portuguesa na pobreza, o candidato ao Parlamento Europeu voltou a declarar uma falsidade.

De acordo com o último boletim do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre “Rendimento e Condições de Vida“, com base no Inquérito às Condições de Vida e Rendimento realizado em 2023 sobre rendimentos do ano anterior, “17% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2022, mais 0,6 pontos percentuais (p.p.) do que em 2021″.

Acrescenta o relatório que “a taxa de risco de pobreza correspondia, em 2022, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos (por adulto equivalente) inferiores a 7.095 euros (591 euros por mês)”.

Ora, a percentagem a que Tânger Corrêa poderia estar a referir-se é a taxa de pobreza antes das transferências sociais. Tal como é expresso no relatório, se estivesse em causa “apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, 41,8% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza em 2022″.

“Os rendimentos provenientes de pensões de reforma e sobrevivência contribuíram em 2022 para um decréscimo de 20,6 p.p. no risco de pobreza, resultando assim numa taxa de risco de pobreza após pensões e antes de transferências sociais de 21,2%”, detalha o documento do INE.

Ainda assim, mesmo nesta percentagem, está em causa a população residente em Portugal que pode ou não ser “população portuguesa” na sua totalidade.

Assim, o Polígrafo avalia a declaração do vice-presidente do Chega como sendo falsa.

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Avaliação do Polígrafo:

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