O primeiro jornal português
de Fact-Checking

DEBATES 2024. Pedro Nuno Santos: “Os privados não quiseram renovar” as PPP do setor da Saúde

Política
O que está em causa?
No debate de hoje entre o secretário-geral do PS e o presidente do PSD, a dicotomia entre público e privado no que toca à saúde foi um dos assuntos a merecer destaque. Ambos mostraram ter visões diferentes sobre em quem recaiu a responsabilidade pelo fim das Parcerias Público-Privadas (PPP) no setor da Saúde. Quem é que tem razão?

No mais importante dos confrontos desta série de debates para as eleições legislativas, o líder dos sociais-democratas defendeu, em relação ao setor da Saúde, que deve existir uma maior aposta nos “mecanismos de gestão que valorizam uma melhor gestão dos recursos públicos e que valorizam um serviço de maior qualidade”. Como “era o caso das PPP”, prosseguiu, atribuindo aos socialistas a responsabilidade pelo seu fim.

Ao que o seu opositor, Pedro Nuno Santos, respondeu: “O PS não acabou. Está enganado, mais uma vez. Os privados não quiseram renovar.” Mas isto apenas porque, segundo Montenegro, “o PS não quis continuar com as parcerias público-privadas por causa dos seus complexos ideológicos e parceiros de governação nos últimos anos”.

Perante esta argumentação, importa questionar: a informação avançada por Pedro Nuno Santos é factual?

O caso remonta ao Governo da “geringonça”, em que o Executivo liderado por António Costa iniciou negociações com os operadores privados que estavam responsáveis pela gestão de hospitais da rede pública, como é o caso de Braga, Loures e Vila Franca de Xira, com vista a uma renegociação dos contratos.

Durante esse processo, os privados manifestaram a sua indisponibilidade para aceitar as condições então impostas pelo Governo, tal como sustentou a então ministra da Saúde, Marta Temido, em plena Comissão Parlamentar de Saúde. E a negociação ficou por aí, na medida em que, segundo os privados, o Executivo optou por não avançar com uma nova proposta.

Tudo isto numa altura em que PCP e Bloco de Esquerda – que na altura suportavam o Governo do PS – defendiam que era imperativo acabar com a gestão privada de hospitais públicos, por considerarem que o Estado tem vantagens em gerir as unidades.

Perante estes factos, atribuímos à alegação o carimbo “Verdadeiro, mas…”.

_____________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Fact checks mais recentes