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DEBATES 2024. Pedro Nuno Santos disse em novembro que baixar juros da CGD fazia “sentido” mas agora diz que é uma “medida que não funciona”?

Política
O que está em causa?
No podcast "Perguntar Não Ofende", do jornal "Expresso", o secretário-geral dos socialistas disse, em novembro de 2023, que a posição de querer pedir à Caixa Geral de Depósitos que aplicasse juros mais baixos do que os concorrentes no crédito à habitação era "correta" e que fazia "sentido". Mas hoje, no debate frente a Mariana Mortágua, Pedro Nuno Santos garantiu que a medida "não é possível" e que, além disso, "é regressiva".

Pedro Nuno Santos e Mariana Mortágua protagonizaram esta noite um debate morno – que deixa adivinhar possíveis encontros pós-eleitorais -, mas que não escondeu os grandes desafios que o BE pode representar para o PS na habitação. Uma das medidas menos partilhadas foi a de obrigar a Caixa Geral de Depósitos a baixar os juros: enquanto que a coordenadora bloquista considera que ela é necessária para fazer face à “maior crise [da habitação] em Portugal” e que não colocaria em causa a estabilidade financeira ou os lucros da Caixa, o secretário-geral do PS define-a como uma “medida que não funciona”.

“Esta medida não é possível e tem outro problema: é regressiva. O lucro da CGD é de todos os portugueses e os dividendos são distribuídos ao Estado que pode aplicar na habitação (…) Um acionista, público ou privado, não pode dar orientações sobre modelo de risco dos bancos. Pode definir estratégia, mas não pode determinar que baixe o spread. É uma medida que não funciona”, reiterou Pedro Nuno Santos.

O que é certo é que, em novembro de 2023, no podcast “Perguntar Não Ofende“, do jornal “Expresso”, o ex-ministro da habitação tinha outras palavras para caracterizar a ideia.

Ao minuto 17, Pedro Nuno Santos introduz aquilo que acha ser uma incongruência dos políticos à direita: “Nós vamos ouvindo políticos e comentadores que se posicionam à direita a defender que deviam ser dadas orientações à Caixa Geral de Depósitos para definir uma taxa de juro sobre os créditos diferente da dos seus concorrentes.”

É o entrevistador que interrompe o socialista – “É a minha posição” – e é o socialista quem classifica a posição: “Não, correta. E faz sentido. Agora, os mesmos que dizem isso, dizem que houve uma interferência na gestão da TAP.”

Ou seja, em pouco mais de dois meses, Pedro Nuno Santos deixou de ver “sentido” na medida que Mariana Mortágua defende. Nota apenas para o contexto em que ambas as afirmações foram ditas: no podcast, Pedro Nuno Santos comentou a defesa da proposta e não a proposta em si; no debate desta noite, as críticas seguiram para a aplicação da medida.

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Avaliação do Polígrafo:

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