No debate da noite de 10 de fevereiro na RTP entre Paulo Raimundo e Luís Montenegro (este último à distância, a partir de um estúdio no Porto), o líder do PCP acusou o oponente de ter uma “responsabilidade acrescida” pelas medidas impostas nos “tempos sombrios da ‘Troika’”, quando o Governo de coligação PSD/CDS-PP foi “recordista do corte de pensões”. Com base nessa memória colocou em causa a promessa atual de “reconciliação” com os reformados, expressa por Montenegro em recente discurso na Convenção da AD - Aliança Democrática.

Por sua vez, Montenegro assumiu que teve “muitas responsabilidades no tempo da ‘Troika’”, mas lembrou que o país estava sob um resgate financeiro e que em 2011 não havia sequer “dinheiro para pagar salários e pensões”. Sublinhou também que o “corte das pensões” estava “inscrito no memorando da ‘Troika’ que foi negociado pelo PS”.

O líder do PSD voltou a defender a ideia de “reconciliação” com os reformados e, não renegando o passado, optou por apontar para o futuro, ao assegurar que “podem confiar no PSD que, aliás, está associado à maior valorização de sempre das pensões que foi a instituição do 14.º mês”.

Esta última alegação tem fundamento?

De facto, em 1990, o Governo de Cavaco Silva (PSD) implementou a maior valorização de sempre das pensões com a instituição do denominado “14.º mês”. Mais precisamente em maio de 1990, a cerca de 15 meses da realização de eleições legislativas, o que até motivou acusações de "eleitoralismo" por parte dos partidos da oposição.

"Esta medida que eu hoje anunciei nunca foi conseguida na nossa História, nunca ninguém conseguiu. E porque é que nunca ninguém conseguiu dar aquilo que todos gostam com certeza de dar, um 14.º mês aos pensionistas portugueses? Pela simples razão de que a economia nunca esteve em condições de aguentar. Pela primeira vez na nossa História, a economia está em condições de aguentar um acréscimo substancial de despesa, fazendo justiça aos pensionistas, quer da Função Pública, quer do regime da Segurança Social", justificou o então Primeiro-Ministro, Aníbal Cavaco Silva, em conferência de imprensa (transmitida pela RTP) realizada no dia 30 de maio de 1990.

Cavaco Silva refutou as acusações de "eleitoralismo" e assegurou, pelo contrário, que "o Governo não vai deixar de tomar nenhuma medida que considere correta pelo país, mesmo que a oposição revele toda essa falta de imaginação de acusar o Governo de 'eleitoralismo'".

Na mesma intervenção salientou que em 1985, quando assumiu o cargo de Primeiro-Ministro, a pensão mínima cifrava-se em 5.500 escudos, tendo escalado com a nova atualização em 1990 para o valor de 20.000 escudos. Ou seja, um aumento de 264% em apenas cinco anos, muito superior ao aumento dos preços (ou inflação) no mesmo período que foi de 75%.

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