O debate ocorreu no âmbito das eleições legislativas agendadas para o próximo dia 10 de março, mas as questões regionais não ficaram de fora do “frente a frente” entre os líderes do Chega e do PAN, esta segunda-feira (5 de fevereiro) à noite, na RTP3. Algo que não é de estranhar, visto que no dia anterior tinha sido revelada a nova composição da Assembleia Legislativa dos Açores.

Nos segundos iniciais deste debate, André Ventura mostrou-se claramente satisfeito com o “grande resultado” obtido pelo seu partido nos Açores. E explicou o racional na base da sua crença: "O Chega é o único partido que cresce verdadeiramente, consegue mais do que duplicar a sua votação. E conseguiu tornar-se central na equação política nos Açores.”

Confirma-se que foi o único partido a crescer “verdadeiramente”, tendo em conta os resultados eleitorais?

De acordo com os resultados oficiais da Eleição para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores de 4 de fevereiro, a coligação PSD/CDS/PPM foi a vencedora, ao obter um total de 48.668 votos (42,08%), o que correspondeu à eleição de 26 deputados.

Partidos que na anterior eleição, em 2020, concorreram em separado – com o PSD a eleger 21 deputados (35.091 votos, ou 33,74%), o CDS-PP três (5.734 votos, ou 5,51%), e o PPM um (2.431 votos, ou 2,34%). Ao que acresce mais um deputado eleito numa coligação entre o PPM e o CDS-PP, especificamente na ilha do Corvo.

Considerados em conjunto, estes três partidos tinham conseguido 26 deputados e cerca de 41,7% dos votos – tendo-se registado uma subida, embora ligeira, da coligação que os engloba neste último escrutínio.

Na segunda posição ficou o PS, com 41.538 votos (35,91%) e 23 deputados – que sofreu uma queda face à última eleição, onde tinha conquistado 25 deputados (40.701 votos, equivalente a 39,13%).

Seguiu-se o Chega, com 10.626 votos (9,19%) e cinco deputados – mais três do que os que tinha conseguido eleições em 2020 (5.260 votos, correspondente a 5,06%). Contas feitas – e tal como disse Ventura – o número de votos atribuídos ao partido mais do que duplicou.

Além destes três partidos, apenas Bloco de Esquerda, Iniciativa Liberal e PAN conseguiram agora eleger deputados (um cada), ao conquistarem 2.936 (2,54%), 2.482 (2,15%) e 1.907 (1,65%) votos, respetivamente. Os bloquistas perderam um representante face ao escrutínio de 2020, ao passo que os restantes mantiveram o deputado que já tinham anteriormente. 

Perante estes dados, validamos a alegação de que o Chega foi o único partido que cresceu “verdadeiramente” – apesar de uma ligeira subida na percentagem de votos, a coligação PSD/CDS/PPM alcançou o mesmo número de deputados em comparação com 2020, quando os três partidos concorreram em separado.

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