Existe algo que “preocupa” André Ventura, segundo revelou o próprio, esta sexta-feira, em debate contra Paulo Raimundo, do PCP, na CNN Portugal. Isto porque, “pela leitura do programa” eleitoral deste partido para as legislativas do próximo dia 10 de março, “aparentemente o PCP defende” a “saída da União Europeia e do Euro”.

De facto, os temas europeus estiveram em claro destaque no confronto entre os dois líderes partidários esta noite, pelo que Ventura quis obter de Raimundo mais esclarecimentos sobre o tema: “Se estou a discutir com um partido que defende sair do Euro, da NATO e da União Europeia, então estamos a falar de outro país diferente.” 

Confirma-se a alegação proferida, esta noite, pelo dirigente do Chega?

Consultando o mais recente programa eleitoral do PCP, exige um capítulo intitulado “A libertação da submissão ao Euro”, que defende o seguinte: “Portugal precisa de se libertar do Euro e dos constrangimentos da integração monetária – condição necessária, embora não suficiente, para o desenvolvimento soberano do país.” No mesmo parágrafo lê-se ainda que o país necessita de “uma moeda adequada à realidade e às potencialidades económicas do país, aos seus salários, produtividade e perfil produtivo, que concorra para os promover ao invés de os desfavorecer”. 

No que diz respeito à União Europeia, o partido não aborda diretamente a sua alegada vontade de que Portugal abandone o bloco comunitário. Porém, assume o objetivo de “criação de um programa que enquadre a possibilidade de saída negociada do Euro dos países que pretendam recuperar a soberania monetária” – ao mesmo tempo que denuncia os “constrangimentos da União Económica e Monetária e do Euro” e a “ingerência, as pressões e a chantagem da União Europeia”. 

Prega ainda pela afirmação da “soberania” e “independência nacionais, numa Europa de cooperação de Estados soberanos e iguais em direitos, de progresso social e paz entre os povos, rompendo com a submissão à União Europeia” – e que “Portugal deve rejeitar as políticas neoliberais, federalistas e militaristas da União Europeia”.

Finalmente, no que toca à NATO, os comunistas não defendem explicitamente a saída da NATO, mas sim a dissolução da Aliança Atlântica. Neste programa eleitoral, assumem como “prioridade” a “dissolução dos blocos político-militares, designadamente da NATO, com a qual o processo de desvinculação do País das suas estruturas deve estar articulada, no quadro do inalienável direito de Portugal decidir da sua saída, e a defesa do princípio da solução pacífica dos conflitos internacionais, pondo fim e rejeitando a participação militar portuguesa em missões de ingerência e agressão contra outros povos”.

Assim, consideramos ser imprecisas as considerações de Ventura sobre as visões do PCP em matéria de política externa, por não corresponderem ao que está inscrito no atual programa eleitoral dos comunistas.

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