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DEBATES 2024. André Ventura: Governo do PS “colocou Portugal com a 9.ª maior carga fiscal da OCDE sobre o trabalho”

Política
O que está em causa?
No debate desta noite na RTP, o líder do Chega acusou o PS de Pedro Nuno Santos de ter provocado um "choque fiscal" em Portugal que, sublinhou, "tem a 9.ª maior carga fiscal da OCDE sobre o trabalho". Esse facto isolado é verdadeiro, mas a realidade é que em 2015, quando o PS formou Governo, essa mesma carga fiscal sobre o trabalho era mais elevada.

“O doutor Pedro Nuno Santos fica sempre muito incomodado com a palavra do ‘choque fiscal’. Nós já estamos num ‘choque fiscal’, ochoque fiscalque o PS nos deu“, começou por acusar o líder do Chega, André Ventura, no debate desta noite na RTP, dirigindo-se ao líder do PS.

“Se quer falar de ‘choque fiscal’, olhe, eu dou-lhe um ‘choque fiscal’. Portugal tem a 9.ª maior carga fiscal da OCDE sobre o trabalho”, prosseguiu Ventura. “Afinal os grandes amigos do trabalho,  toda a esquerda de ‘geringonça’ que governou durante os últimos anos, colocou-nos – sublinho – com a 9.ª maior carga fiscal da OCDE sobre o trabalho.”

De facto, em abril de 2023, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) publicou o relatório “Taxing Wages 2023” (pode consultar aqui), com dados referentes ao ano de 2022.

No indicador de referência da publicação – o peso de impostos e contribuições sobre a retribuição de um trabalhador solteiro e sem filhos que aufere um salário médio -, Portugal subiu de 41,8% para 41,9%, um ligeiro agravamento de 0,06 pontos percentuais.

Sim, essa percentagem de carga fiscal sobre o trabalho é a 9.ª maior entre os países da OCDE analisados no estudo.

Contudo, Ventura diz que o Governo do PS “colocou-nos” nessa situação, como se tivesse aumentado ao longo dos oito anos de governação de António Costa. Daí, aliás, ter referido esta estatística como exemplo do “choque fiscal” que “o PS nos deu”.

Na realidade, porém, o facto é que Portugal estava em pior situação neste indicador em 2015, quando Costa assumiu o cargo de Primeiro-Ministro.

De acordo com os mesmo dados da OCDE, em 2015 registava uma carga fiscal sobre o trabalho de 42,1% (baixou portanto para 41,9% em 2022).

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Avaliação do Polígrafo:

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