Questionado pela deputada do PAN, no debate de ontem no Parlamento, sobre se estaria disponível para acompanhar a proposta do partido de Inês Sousa Real referente ao acesso dos jovens à taxa de juro bonificado, o ministro das Infraestruturas e da Habitação respondeu que essa “não é a solução para a habitação em Portugal”.

No mesmo plano, Pedro Nuno Santos acrescentou que o país não tem apenas “um dos Estados mais endividados do mundo”, mas também “das famílias mais endividadas do mundo”, sublinhando que “a principal razão para o endividamento das famílias portuguesas é o crédito à habitação”.

“Não queremos novas famílias portuguesas com uma mochila de dívida até ao final das suas vidas”, concluiu.

Confirma-se?

O relatório “Brick by Brick: Building Better Housing Policies” (Tijolo a Tijolo: Construir Melhores Políticas de Habitação, em português) dá razão ao ministro das Infraestruturas e da Habitação. Segundo o documento, em comparação com os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), as famílias portuguesas são as que sentem um maior peso do empréstimo à habitação considerando os seus rendimentos, ou seja, são as mais endividadas nesta área.

“Este rácio [dívida/rendimento] está bem acima de 100% na maioria dos países da OCDE e ultrapassa os 200% em alguns deles, como Portugal, Espanha e Holanda”, lê-se no relatório.

O mesmo documento refere que a dívida do crédito à habitação “é tanto uma oportunidade como um risco”, pois “permite às famílias, especialmente às famílias jovens e àquelas com poucos ativos iniciais, acumular riqueza”.

Por outro lado, a OCDE sublinha que esta dívida “pode expor as famílias, especialmente as que se encontram na base da distribuição, a riscos financeiros em caso de perdas de rendimento, de queda dos preços das casas, bem como de aumento das taxas de juro”.

Em suma, os dados da OCDE mostram que, tal como afirmou Pedro Nuno Santos, as famílias portuguesas são as mais endividadas no que diz respeito ao crédito à habitação.

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