Com a relação entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista a afastar-se do que já foi em tempos, o debate e as negociações do Orçamento do Estado para 2021 têm sido espaço para troca de galhardetes entre os dois partidos. Desta vez, a acusação veio de Ana Catarina Mendes, que no encerramento do debate do Orçamento do Estado responsabilizou o partido liderado por Catarina Martins por alegadamente ter sido o primeiro a ensaiar um afastamento.

“O Bloco de Esquerda logo em outubro de 2019 disse: ‘não queremos uma coisa para a legislatura, faremos medida a medida, orçamento a orçamento’. Nós não desistimos da junção de esforços à esquerda e é assim que temos trabalhado”, apontou a presidente do grupo parlamentar do PS.

É verdade que partiu do Bloco de Esquerda a vontade expressa de se afastar de um acordo de legislatura, preferindo negociar medida a medida ao longo dos quatro anos de governação do Partido Socialista?

A resposta é negativa. Três dias após as eleições legislativas de 6 de outubro de 2019 , Catarina Martins e António Costa estiveram reunidos para decidir qual era o destino da maioria parlamentar de esquerda que apoiou o Executivo socialista e qual o nível de compromisso que os dois partidos estavam dispostos a assumir para os quatro anos seguintes.

Após a reunião da Comissão Política do PS, foi conhecida a posição socialista. “À semelhança da legislatura agora finda, será prosseguida uma metodologia idêntica de apreciação prévia das propostas de orçamentos do estado e de outras relevantes para a estabilidade governativa”, anunciava o partido em comunicado.

"Queremos aprofundar o caminho que foi feito", disse então Catarina Martins aos jornalistas, enquanto António Costa anunciava que os moldes concretos do trabalho conjunto iriam ser “avaliados", ainda que os dois partidos tivessem convergido “quanto à vontade mútua de prosseguir o trabalho conjunto" da anterior legislatura.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

No dia a seguir, após a reunião da Comissão Política do PS, foi conhecida a posição socialista. “À semelhança da legislatura agora finda, será prosseguida uma metodologia idêntica de apreciação prévia das propostas de orçamentos do estado e de outras relevantes para a estabilidade governativa”, anunciava o partido em comunicado. A porta para um acordo de legislatura com o Bloco de Esquerda ou com qualquer outro dos cinco partidos então contactados pelo PS ficou assim fechada unilateralmente.

Conclui-se, portanto, que é falso que tenha sido o Bloco de Esquerda a impedir um acordo para os quatro anos de legislatura, preferindo uma negociação a cada Orçamento do Estado. A decisão foi anunciada pelo PS após uma reunião da Comissão Política do partido, um dia depois de um encontro entre António Costa e Catarina Martins.

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