O primeiro debate com o Governo da XV legislatura na Assembleia da República foi aberto pelo líder da bancada parlamentar do PSD, Paulo Mota Pinto. O social-democrata começou por responsabilizar o PS pelos problemas das últimas semanas em várias urgências do país, referindo que os portugueses têm ao seu dispor um "Serviço Nacional de Saúde de terceiro mundo".

Mais adiante, debruçou-se sobre a evolução económica do país e as promessas de António Costa em relação ao aumento médio de salários. "No contexto em que a inflação subiu, os combustíveis aumentam, os juros estão a subir. Nas grandes cidades os preços são incomportáveis para a grande maioria dos portugueses. O senhor primeiro-ministro aparece a prometer ou prever o aumento dos salários médios de 20% até 2026", assinalou o deputado. E questionou ainda: "Não entendo a sua surpresa em ninguém ter levado isso muito a sério. Pode ser mais preciso e esclarecer se era realmente uma promessa?"

A resposta do primeiro-ministro foi clara. "O senhor deputado surpreende-me ao não conhecer o Programa do Governo que fixa um objetivo, entre vários, que é o peso dos salários no PIB convergir com a média europeia. O nosso peso dos salários no PIB é 45% e a meta é chegar aos 48% que é a média europeia, mas para isso temos de ter uma evolução do salário médio e a de 20% é compatível com a evolução do salário médio nos últimos anos", argumentou António Costa.

"Senhor primeiro-ministro, queria só notar que esses dados do peso dos salários sobre o PIB estão desatualizados, dizem respeito a 2019", respondeu Mota Pinto.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a proporção anual da remuneração dos empregados no PIB situava-se, em 2019, nos 45,29%, o valor indicado por António Costa. Existem dados para os últimos dois anos, no entanto, nenhum deles é definitivo. Em 2020, o valor deste indicador (48,79%) é apresentado como um dado provisório e o de 2021 (48,78%) está identificado enquanto um dado preliminar.

Ou seja, o valor apresentado por Costa (45%) é, de facto, o dado definitivo mais recente em relação ao peso dos salários no PIB. No entanto, as previsões são de que consiga alcançar já este ano ou, pelo menos, em 2023, a meta dos 48%, naquela que será uma aproximação aos números da Zona Euro até 2026.

Tal como verificado pelo Polígrafo em maio, desde 2009 até 2016 a proporção da remuneração dos empregados no PIB desceu de forma constante, caindo de 47,69% para os 43,55%. Desde o primeiro ano completo de governação de António Costa, esta variável tem ganho peso no PIB e subido também de forma constante (43,55% em 2016; 43,94% em 2017; 44,66% em 2018; 45,29% em 2019).

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Avaliação do Polígrafo:

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