"Hoje o doutor Rui Rio cedeu ao populismo e atravessou uma fronteira daquilo que é aceitável, em face dos nossos valores constitucionais. Nos Açores fizeram-no às escondidas, hoje foi às claras... Não pode dar o dito por não dito", afirmou José Luís Carneiro, secretário-geral adjunto do PS, em declarações à Agência Lusa, no rescaldo do debate que colocou frente a frente Rui Rio e André Ventura.

De acordo com o secretário-geral adjunto socialista, Rui Rio "ultrapassou todos os limites dos fundamentos dos valores constitucionais". "O doutor Rui Rio esteve hoje a negociar em direto e ao vivo com o doutor André Ventura e admitiu ceder numa matéria tão sensível como a prisão perpétua. (...) Para quem vê e para quem ouve, custa a acreditar, mas depois de vermos e de ouvirmos não podemos ignorar", apontou.

O tema da prisão perpétua foi introduzido por André Ventura e recuperado, também por ele, em vários momentos do debate.

"Hoje que estou aqui frente a frente com o Dr. Rui Rio, gostava que ele dissessem em que é o que Chega é tão radical. É por propor isto [prisão perpétua]? Metade da Europa tem prisão perpétua para violadores, homicidas, terroristas", começou por questionar o líder do Chega.

Mais tarde, enquanto se discutia os cortes nas pensões, o líder do Chega interrogou: "Qual é a nossa diferença? Qual é o radicalismo então? Onde é que está o radicalismo do Chega? Até agora disse a tudo sim. Prisão perpétua, sim." "Eu disse que sim à prisão perpétua?", reagiu Rui Rio, com alguma incredulidade.

Sobre o tema, Rui Rio começou por retorquir o que se segue: "Para sermos claros, há três possibilidades de prisão perpétua. Os países que não têm perpétua, somos nós, que são poucos. Há os países que têm prisão perpétua, que são poucos, e há no meio um vasto conjunto de países que têm prisão perpétua, mas de forma mitigada. Ou seja, é condenado em prisão perpétua, mas ao fim de... no caso da Alemanha penso que são 12 ou 15 anos, sai em liberdade condicional, se faz qualquer coisa vai lá para dentro e então segue a prisão perpétua por inteiro." E concluiu: "Se estamos a falar da prisão perpétua, ponto final parágrafo, vai para cadeia e nunca mais sai de lá até ao fim da vida, isso nós somos completamente contra, é um atraso civilizacional." No momento em que o líder do PSD fez esta última afirmação, André Ventura exclamou repetidamente: "E nós admitimos isso", referindo-se à forma mitigada da prisão perpétua.

No seguimento do debate, Ventura regressou ao tema: "Vimos hoje aqui um exemplo. A prisão perpétua feita com determinada medida, se calhar seria aceitável para o PSD". Nesta ocasião, Rio não reagiu.

Quase no fim do frente a frente, André Ventura voltou a declarar: "Hoje, aqui, Rui Rio diz sim, admite que para violadores, pedófilos, terroristas...pode haver prisão perpétua". "Não disse isso", replicou várias vezes Rio.

Mais tarde, enquanto se discutia os cortes nas pensões, o líder do Chega interrogou: "Qual é a nossa diferença? Qual é o radicalismo então? Onde é que está o radicalismo do Chega? Até agora disse a tudo sim. Prisão perpétua, sim." "Eu disse que sim à prisão perpétua?", reagiu Rui Rio, com alguma incredulidade.

Quase no fim do frente a frente, André Ventura voltou a declarar: "Hoje, aqui, Rui Rio diz sim, admite que para violadores, pedófilos, terroristas...pode haver prisão perpétua". "Não disse isso", replicou várias vezes Rio.

Entretanto, na tarde desta terça-feira, dia 4 de janeiro, em declarações ao Observador, fonte oficial do PSD veio esclarecer que "Rui Rio é contra qualquer modalidade de prisão perpétua e não tenciona acomodar nenhuma alteração nesse sentido". O gabinete de Rui Rio garantiu que as críticas dos socialistas não têm fundamento, rejeitando ainda qualquer tipo de ambiguidade sobre o tema.

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