“Num dia em que seria essencial ter acesso aos dados de qualidade do ar monitorizados através dos 80 postos colocados por toda a cidade, eis que a plataforma não disponibiliza dados! Tanto investimento para nada! Esperávamos novos tempos, mas é mais do mesmo”, lê-se numa publicação de um grupo de Facebook com mais de 7.700 membros que reencaminha os leitores para uma página do portal Lisboa Aberta.

O post foi escrito a 16 de março, um dos dias em que o país esteve coberto por uma nuvem de poeiras trazidas pela depressão Célia, do Norte de África até à Europa. Mas a alegação é verdadeira?

Sim. Contactado pelo Polígrafo, o gabinete de comunicação da Câmara Municipal de Lisboa confirma que “a parte relativa aos dados em tempo real e à analítica dos dados” está “indisponível nos dados abertos”.

No entanto, a autarquia esclarece que tal aconteceu “porque a empresa sofreu um ciberataque há mais de uma semana e ainda não conseguiu restabelecer o serviço”. Contudo, assegura, “não foi perdido o histórico”.

No mesmo plano, acrescenta, "mesmo hoje, o portal de dados abertos partilha os dados do histórico e já está a começar a reportar dados em tempo real de algumas estações".  Neste momento, estes dados podem ser lidos por máquinas, "permitido por exemplo que startup criem apps utilizando estas fontes de dados".

A mesma fonte oficial explica ainda que “o sistema foi implementado só no ano passado e esteve a partilhar dados no portal de dados abertos entre abril de 2021 e o início de março de 2022”.

O departamento de comunicação assegura também que a autarquia espera “restabelecer o serviço” em breve, mas diz “não ter uma data” indicativa de quando será isso possível.

Em suma, é verdade que os dados em tempo real sobre a qualidade do ar em Lisboa não foram disponibilizados durante os dias em que a cidade esteve coberta por uma nuvem de poeira. No entanto, tal deveu-se a um ataque informático à empresa que os faculta e a autarquia garante que, assim que for possível, o sistema estará novamente operacional.

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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian financiada pela Google.

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