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Criança de 13 anos morreu durante aula em Barcelos porque sufocou com máscara?

Coronavírus
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Em publicação no Facebook, um "naturopata" denuncia que a morte de uma criança de 13 anos de idade durante uma aula na escola em Barcelos, no dia 20 de outubro, terá sido causada pela utilização de máscara. "Já tinha alertado que, por serem tímidas, muitas crianças não terão coragem de dizerem que estão a sufocar", destaca o autor da mensagem. Verdade ou falsidade?

O autor da publicação identifica-se como “naturopata” e destaca duas imagens. Na primeira surge o título de uma recente notícia, dando conta de que “menina de 13 anos morre durante aula em Barcelos“. Na segunda aparece um indivíduo a empunhar um cartaz, junto à Assembleia da República, com a seguinte mensagem: “Mãe, não consigo respirar!

“Já perceberam agora porque fui para a concentração de dia 11, em frente à Assembleia da República, com este cartaz? Já tinha alertado que, por serem tímidas, muitas crianças não terão coragem de dizerem que estão a sufocar! Que não estão a conseguir respirar! E com o Inverno vai ser pior”, escreve o “naturopata” no texto da publicação.

“Não serviu de nada os sucessivos posts com estudos científicos que fiz. O mal está feito. Já perceberam porque se têm de juntar a nós esta sexta 23 e sábado 24? Ou é preciso morrerem mais crianças? A primeira criança vítima do vírus morreu ontem“, conclui.

Estas alegações têm sustentação factual?

O jornal “Diário do Minho”, logo no dia 20 de outubro, noticiou que “um menor morreu hoje ao final da manhã na Escola Básica 2/3 Gonçalo Nunes, na freguesia de Arcozelo, na cidade de Barcelos. Segundo apurou este jornal, a vítima, uma rapariga com 13 anos de idade e natural de Abade do Neiva, caiu subitamente quando estava em aulas e entrou em paragem cardiorrespiratória (PCR). A PSP esteve na escola, juntamente com uma equipa de psicólogos do INEM, e ao que tudo indica a menina sofria de uma doença rara congénita“.

Por sua vez, no mesmo dia, o jornal “Diário de Notícias” informou que “uma menina de 13 anos morreu, nesta terça-feira, na escola EB 2,3 Gonçalo Nunes, em Arcozelo, Barcelos. A informação foi avançada pelo ‘Jornal de Notícias’ e confirmada ao ‘Diário de Notícias pelos Bombeiros Voluntários de Barcelos. De acordo com fonte da corporação, a informação inicial dá conta de que a aluna terá caído, tendo depois entrado em paragem cardiorrespiratória. Fonte do Comando Distrital de Braga da PSP disse ao ‘Diário de Notícias’ que a criança, portadora de uma doença que lhe comprometia a mobilidade, terá tropeçado num degrau e terá sido essa queda que provocou a morte“.

No jornal “Correio da Manhã”, precisamente na notícia destacada pelo autor da publicação, também não encontramos qualquer referência à utilização de máscara. “Uma menina de 13 anos morreu esta terça-feira na Escola Gonçalo Nunes, em Barcelos, enquanto assistia a uma aula. Ao que o ‘Correio da Manhã’ apurou, a menor terá caído e entrado em paragem cardiorrespiratória”, lê-se no artigo.

Por fim, no “Jornal de Notícias” encontramos mais detalhes sobre o caso, a saber: “Clarisse Mendes sofria de uma doença congénita, relacionada com o coração e que afetava também o desenvolvimento muscular. Tinha já sido submetida a intervenções cirúrgicas. O ‘Jornal de Notícias’ sabe que a menina, que residia com os pais e o irmão mais velho em Abade de Neiva, estava a ser acompanhada no Hospital de São João, no Porto, onde ia com regularidade fazer exames e tratamentos. ‘Era uma menina muito esperta. Na freguesia todos gostavam dela, porque era meiga. Sei que estava também a ser acompanhada no hospital de Coimbra. A Clarisse tinha uma doença rara e aguardava uma nova cirurgia‘, conta ao ‘Jornal de Notícias’ o presidente da Junta de Abade de Neiva, David Torres”.

De acordo com a informação disponível, não há qualquer relação comprovada entre a morte da criança e a utilização de máscara.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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