"20.595 mortos – 1.9 milhões em estado grave, publicado na base de dados sobre reações adversas às vacinas contra a Covid-19 da União Europeia (UE)", lê-se no tweet de 31 de agosto.

Em resposta ao post, um outro utilizador partilha uma imagem, supostamente da "EudraVigilance" (base de dados europeia sobre reações adversas a medicamentos) que diz que "já morreram 21.766 pessoas e que 2.074.410 pessoas estão em estado grave por causa da vacina". Os dados são supostamente de 14 de agosto e reportam-se aos efeitos adversos das vacinas da Moderna, Pfizer e AstraZeneca.

Será verdade?

Não. Na realidade, a imagem partilhada na publicação em questão é uma montagem e não é da "EudraVigilance". A parte superior da imagem diz respeito a um aviso na primeira página da base de dados, que foi sobreposta a uma caixa de texto, a negro, com os supostos resultados destes relatórios.

No site da base de dados da "EudraVigilance" – um banco de dados da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) – antes de se aceder aos dados o utilizador é confrontado com um aviso: "A informação neste site não reflete a confirmação de uma potencial ligação entre o medicamento e os efeitos observados." Mais, na mesma página afirma-se que "o número de suspeitas de efeitos secundários na base de dados EudraVigilance não devem servir como base para determinar a probabilidade de um determinado efeito secundário ocorrer".

A Agência Europeia de Medicamentos partilhou quatro relatórios sobre cada uma das vacinas – Moderna, Pfizer, AstraZeneca e Janssen com o Polígrafo SIC. Nestes documentos, no capítulo dedicado a "efeitos secundários suspeitos" contabilizam-se 6.448 mortes de pessoas na União Europeia e no Espaço Económico Europeu (UE/EEE), depois de serem inoculadas com a vacina.

Os dados dizem respeito ao período temporal entre 11 de março de 2021 e 2 de setembro de 2021, tendo sido recolhidos pela "EudraVigilance". Nos mesmos documentos, afirma-se que 572.287 pessoas da UE/EEE dizem ter tido efeitos secundários suspeitos, embora nestes relatórios não se distinga o grau de gravidade destas reações. No total, já foram administradas na União Europeia 542 milhões de doses.

  • Vacina contra a Covid-19 pode comprometer o sistema imunitário? (COM VÍDEO)

    Está a ser difundido nas redes sociais um artigo no qual se destaca que "a vacina para a Covid-19 pode comprometer o sistema imunológico", apontando para um suposto estudo que terá concluído que "as vacinas para a Covid-19 destinadas a induzir anticorpos neutralizantes podem sensibilizar os destinatários da vacina para doenças mais graves do que se eles não fossem vacinados".

Ao Polígrafo SIC, fonte oficial da EMA explica que "é essencial perceber que os efeitos secundários reportados por pacientes e profissionais de saúde descrevem reações observados após a toma da vacina. No entanto, o facto de alguém ter um problema de saúde ou até morrer, depois de tomar a vacina, não significa necessariamente que tenha como causa a vacina. Estes eventos podem ter origem, por exemplo, em problemas de saúde não relacionados com a vacinação. Para a maioria dos medicamentos a maioria dos efeitos secundários suspeitos acabam por não ter correlação com o medicamento".

Em suma, os números da publicação não batem certo com os números reportados pela "EudraVigilance".

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Avaliação do Polígrafo SIC:

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