"Desde o início, o protocolo do teste PCR seria incapaz de detetar a presença inequívoca do RNA do vírus, sendo a sua especificidade gravemente comprometida por erros enormes no protocolo, originando um número esmagador de falsos positivos”, lê-se no texto em causa - intitulado como "Tempo de a verdade vir à superfície" - que está a ser partilhado nas redes sociais.

Alegações idênticas já foram desmentidas pelo Polígrafo anteriormente (pode ler aqui, aqui ou aqui)

Os testes de biologia molecular (RT-PCR) que detectam o RNA do vírus - os chamados "testes da zaragatoa" - são realizados com amostras do trato respiratório superior e/ou inferior. Como se explica na página do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), "desde o início da dispersão do SARS-CoV-2 que a disponibilização à comunidade científica de sequências genómicas completas deste vírus, obtidas a partir de amostras biológicas provenientes de doentes de origem chinesa, permitiu, quase de imediato, o desenvolvimento, por investigadores alemães, de um teste de diagnóstico molecular para a sua deteção laboratorial".

Segundo a mesma fonte, os processos utilizados neste exame permitem reconhecer os "genes que codificam as proteínas N, E, S e a polimerase viral". Estas proteínas e a polimerase viral existem em todos os coronavírus, mas os genes apresentam configurações diferentes para o vírus que provoca a Covid-19. 

Em declarações ao Polígrafo, Celso Cunha, virologista do IHMT, sublinha que, embora existam muitos testes PCR, os que são utilizados para encontrar "o genoma do SARS-CoV-2 foram desenhados para o detectar e são absolutamente específicos para este vírus em concreto". 

Ou seja, os testes pesquisam o material genético do novo coronavírus na amostra colhida pela zaragatoa e nada mais. Na prática, estes "não são capazes de detectar os outros coronavírus sazonais, que causam vulgares constipações, nas condições experimentais que são utilizadas, muito menos qualquer outro vírus que pertença a uma família diferente dos coronavírus", assegura o especialista. 

Também o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), Ricardo Mexia, afirma ao Polígrafo que não existe a possibilidade de se estar "a diagnosticar Covid-19 que afinal era gripe". Os testes PCR "identificam material genético do vírus. Não quer dizer que entre outros vírus não possa haver uma reação cruzada, mas tendencialmente são testes muito específicos".

Por sua vez, João Júlio Cerqueira, médico especialista de Medicina Geral e Familiar e criador da página Scimed, defende igualmente que "o teste PCR tem uma especificidade muito próxima dos 100%". E exemplifica: "Há países a fazer testes de forma massiva na população geral, em circunstâncias de baixa prevalência, e mesmo considerando todos os positivos como sendo falso-positivos a especificidade seria de 99,9%".

"Mesmo que o teste fosse fraco, basta olhar para o que está a acontecer no nosso país. O aumento do número de testes positivos acompanha o aumento de número de pessoas que ficam internadas. Se o teste fosse problemático nesse sentido, o número de internamentos e de admissões em UCI não acompanharia o aumento do número de casos", exemplifica.

No final de julho, o Polígrafo analisou uma outra publicação alegando (falsamente) que a margem de erro dos testes à Covid-19 é superior a 80%. Defeitos nos testes, contaminação ou má recolha de amostragens podem alterar os resultados do diagnósticos. E nenhum destes elementos está relacionado com a margem de erro original do teste.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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