A possibilidade de administrar uma terceira dose da vacina contra a Covid-19 tem vindo a ser debatida em vários países. Israel decidiu, em agosto, distribuir a terceira dose aos grupos considerados de risco – nomeadamente a pessoas com problemas imunológicos e aos que têm mais de 60 anos. Em Portugal, a terceira dose começou a ser administrada a idosos acima dos 65 anos na semana passada. No entanto, têm sido partilhados nas redes sociais vídeos onde se afirma que a administração da terceira dose irá provocar efeitos secundários severos, tais como cancro, ataques cardíacos e morte.

Ainda não existem muitos dados sobre o impacto da administração de uma terceira dose da vacina contra a Covid-19. Os especialistas do "Meedan Digital Health Hub", uma plataforma de investigação que combate a desinformação na área da saúde, avançam que “é provável que [na terceira dose] possa haver episódios mais agudos de efeitos secundários comuns que têm tendência a aparecer depois da segunda dose (por exemplo dores de cabeça, cansaço, dores musculares, febre, inchaço)”, mas sublinham que “não existe evidência que mostre que a terceira dose possa causar um aumento de incidência de cancro, ataques cardíacos ou morte entre os vacinados”, afirmam.

Para já, o Centro norte-americano para o Controlo e Prevenção da Doença (CDC, na sigla inglesa) mantém a recomendação de que a administração da segunda dose é suficiente para proteger a população, enquanto analisam os benefícios da terceira dose a as possíveis reações adversas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem vindo a apelar aos países desenvolvidos que não administrem a terceira dose enquanto os países mais pobres não forem inoculados também, alertando para o risco de as vacinas não chegarem aos que menos posses têm. Até agora, apenas 2% dos cidadãos do continente africano recebeu as duas doses da vacina.

Em Israel, dados divulgados pelo Governo – mas que não foram revistos pelos pares – mostram que o nível de proteção dos cidadãos totalmente vacinados desceu: a proteção contra a infeção pelo SARS-CoV-2 passou de 75% para 39%, enquanto a proteção contra os sintomas da Covid-19 desceu de 79% para 41%. No entanto, a proteção contra hospitalizações e formas graves de Covid-19 não mostraram uma queda significativa.

O aparecimento de surtos entre os cidadãos israelitas totalmente vacinados poderá estar relacionado, segundo os especialistas do "Meedan Digital Health Hub", com o aparecimento da variante Delta – que tem uma maior capacidade de propagação – e com o relaxamento das medidas de proteção contra a Covid-19 – tal como o uso de máscaras no interior.

Para combater a propagação do vírus, o Governo israelita decidiu administrar a terceira dose da vacina aos indivíduos com problemas ao nível imunitário e aos que têm mais de 60 anos. Uma decisão que tem por base os dados analisados durante a terceira fase dos ensaios clínicos da vacina produzia pela Pfizer e BioNTech, onde se identificou uma queda do nível de proteção contra a infeção sintomática entre quatro e seis meses após a administração da segunda dose – dados que podem estar desatualizados por não incluírem o impacto das variantes.

Enquanto isso, o consórcio Pfizer e BioNTech está a realizar estudos pré-clínicos e clínicos para perceber o de que forma a terceira dose confere proteção contra a variante Delta. O aparecimento de variantes tem vindo a motivar análises promovidas pela farmacêutica: no caso da variante Beta, dados iniciais de estudos mostram que a administração de uma nova dose da vacina, seis meses depois de ser administrada a segunda dose, aumenta entre cinco e dez vezes a proteção contra esta mutação.

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