A publicação é composta por uma fotografia do vice-almirante Gouveia e Melo com duas frases a branco. Na parte de cima foi escrito “Gouveia e Melo contra a terceira dose” e, em baixo, surge uma citação, que supostamente foi dita pelo vice-almirante: “É preciso pensar por nós e não ir atrás de decisões sem base científica”.

Será que o ex-coordenador da task force para a vacinação é contra administração da terceira dose?

A mesma declaração que surge na publicação é citada pelo jornal "Nascer do Sol", num artigo que data de 18 de setembro de 2021. De acordo com o artigo, a frase terá sido proferida na reunião do Infarmed do dia 16 de setembro, durante a “parte de perguntas e respostas, que já não é aberta à comunicação social”.

Ao Polígrafo, o responsável pela comunicação do vice-almirante afirma que Gouveia e Melo “não se opõe de todo à administração da terceira dose da vacina contra a Covid-19” e que, por se tratar de “um assunto eminentemente técnico da área da saúde”, “não emite qualquer opinião sobre esta matéria”.

“O que senhor vice-almirante referiu, em tempos, é que ele não tinha conhecimento de evidência científica sobre a mesma (se era bom ou se era mau) e, por isso, administrar uma terceira dose com base em informação da indústria farmacêutica, sem estudos credíveis da comunidade científica, criava espaço à dúvida”, acrescenta.

A posição de Gouveia e Melo sobre a importância da evidência científica para a tomada de decisões já tinha sido assumida publicamente. Por exemplo, no dia 24 de agosto, durante uma visita do então coordenador da task force ao centro de vacinação de São João da Madeira, Gouveia e Melo afirmou que não havia certeza científica que comprovava a necessidade de se administrar uma terceira dose à população generalizada.

“Uma coisa é dar mais uma dose a quem é imunodeprimido ou quem está a fazer um tratamento específico e que tem as suas defesas mais baixas, mas são casos muito pontuais. Não é uma terceira dose generalizada”.

“Não há nenhuma decisão sobre a terceira dose da vacina. É um assunto que DGS [Direção-Geral de Saúde] está a tratar. Não há sequer a certeza científica da sua necessidade”, disse Gouveia e Melo aos jornalistas. No entanto, destacou a diferença entre a administração da terceira dose generalizada e da chamada dose de reforço – que está atualmente disponível para maiores de 65 anos. “Uma coisa é dar mais uma dose a quem é imunodeprimido ou quem está a fazer um tratamento específico e que tem as suas defesas mais baixas, mas são casos muito pontuais. Não é uma terceira dose generalizada”, disse vice-almirante durante a visita.

  • Diabéticos podem tomar vacina para gripe mas não tomar a terceira dose para a Covid-19?

    As autoridades de saúde decidiram iniciar um processo de administração conjunta da vacina contra a gripe e da dose de reforço da vacina contra a Covid-19. Os doentes com diabetes continuam a poder receber a vacina contra a gripe de forma gratuita nos centros de saúde, por serem considerados de risco. Mas alguma informação aparentemente contraditória tem gerado dúvidas. A pedido de vários leitores, o Polígrafo verifica.

Concluindo, é falso que o vice-almirante Gouveia e Melo se oponha à administração da terceira dose da vacina contra a Covid-19. O que o ex-coordenador da task force tem vindo a defender é que são necessários estudos credíveis e evidência científica que comprovem a necessidade de se avançar para a terceira dose da vacina de forma generalizada, antes que seja tomada a decisão por parte das autoridades de saúde.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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