"Audiência no senado estadual do Texas, EUA, sobre as vacinas de m-RNA. Senador: Você já viu qualquer outra vacina lançada para o público que não foi testada em animais? Cientista: Nunca antes. Especialmente para crianças. Senador: E pelo que li, eles realmente começaram os testes em animais. E porque os animais estavam a morrer, decidiram parar os testes. Cientista: Correto", pode ler-se na publicação, de 10 de agosto, onde está disponível um vídeo de uma audiência no senado do Texas, Estados Unidos, e que transcreve um diálogo entre o senador Bob Hall e uma pediatra norte-americana.

Será verdade?

O vídeo em causa mostra uma audiência no Senado do Texas, Estados Unidos, no dia 6 de maio, durante a qual um senador e uma pediatra promovem desinformação sobre a pandemia de Covid-19. O diálogo transcrito na publicação sob análise foi uma troca de palavras entre Angelina Farella, uma pediatra (e não cientista), e o senador republicano do Texas, Bob Hall.

No decorrer do seu depoimento, Angelina Farella duvidou da segurança das vacinas contra o coronavírus e afirmou que estiveram associada a mais de quatro mil mortes nos Estados Unidos. Além de esta informação ser falsa, a alegação feita por Bob Hall e secundada pela pediatra de que vários animais tinham morrido durante os testes é igualmente apócrifa.

A pediatra norte-americana surgiu num documentário produzido pela "America's Frontline Doctors", grupo que tem alegado falsamente que a hidroxicloroquina é a cura para a Covid-19. Bob Hall promoveu também a ideia de que o fármaco é útil no tratamento da doença, apesar de vários estudos terem demostrado o contrário.

Não há nenhuma evidência factual de que animais tenham morrido durante os testes das vacinas para o novo coronavírus. Tanto a PfizerAstraZenecaModerna e Johnson & Johnson afirmaram em comunicados à imprensa que testaram as suas vacinas em animais nos ensaios pré-clínicos. Em cada caso, os resultados sugeriram que as vacinas foram de facto eficazes em reduzir a infeção por Covid-19.

As vacinas para o novo coronavírus foram testadas em coelhos, ratos, hamsters e primatas, de acordo com documentos da Food and Drug Administration dos EUA. Em nenhum momento é mencionado que os animais morreram durante os ensaios. Caso tivesse acontecido, os ensaios em humanos teriam sido interrompidos, como refere o jornal de fact-checking "Full Fact".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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