As máscaras são hoje um elemento central na realidade pós-confinamento. Segundo o decreto-lei 22/2020, "é obrigatório o uso de máscaras ou viseiras para o acesso ou permanência nos espaços e estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, nos serviços e edifícios de atendimento ao público e nos estabelecimentos de ensino e creches pelos funcionários docentes e não docentes e pelos alunos maiores de 10 anos”. O mesmo limite de idade é referido “na utilização de transportes coletivos de passageiros”.

A pergunta impõe-se: as crianças devem ou não utilizar máscara? Teresa Bandeira, pediatra especialista na área de pneumologia, respondeu ao Polígrafo que “as crianças devem ser treinadas para a utilização da máscara, mas não devem ser obrigadas a usá-la”. A utilização de máscaras em crianças entre os três e os dez anos pode ser aplicada, mesmo sem ser obrigatória. No entanto, é necessário que haja uma educação por parte dos pais para que as crianças aprendam a seguir as recomendações de uso destes elementos de proteção – nomeadamente não mexerem na máscara com as mãos sujas.

Por outro lado, a utilização de máscaras por crianças mais novas pode ser perigosa. “É recomendado que as crianças com menos de dois anos de idade não usem nenhum tipo de máscaras uma vez que, tendo pequenas vias respiratórias, poderão ter dificuldade a respirar”, concluiu um estudo sobre a utilização de máscaras em crianças para ultrapassar a Covid-19, publicado no European Journal of Pediatrics. Também Teresa Bandeira explica que, em crianças com idade inferior a três anos, “colocar máscaras pode causar dificuldade em respirar e pode eventualmente criar risco de sufocação”.

Para a pneumologista Teresa Bandeira, a utilização de máscaras por crianças com menos de 3 anos é perigosa.

E que tipo de máscaras podem ser usadas pelas crianças?  Teresa Bandeira esclarece: “Desde que sejam respiráveis, o seu uso correto é o mais importante. O que implica um enorme trabalho de treino por parte dos pais e outros educadores ou cuidadores.” É importante que a máscara “se ajuste à face” e que não haja uma “manipulação frequente com mãos sujas”.

Além disso, o uso destes dispositivos não pode ser imposto à criança. Trata-se de uma prática que deve ser ensinada pelos pais, educadores ou cuidadores, a par com as restantes recomendações de distanciamento social e de higiene das mãos. Caso a criança não aceite a utilização das máscaras, “será melhor a opção por outras medidas nomeadamente a distância social ou a não frequência de escolas, no caso de se tratar de crianças com riscos particulares de saúde”, sublinha a pediatra.

“É recomendado que as crianças com menos de dois anos de idade não usem nenhum tipo de máscaras uma vez que, tendo pequenas vias respiratórias, poderão ter dificuldade a respirar”, concluiu um estudo sobre a utilização de máscaras em crianças para ultrapassar a Covid-19, publicado no European Journal of Pediatrics.

“Não está aconselhado o uso de máscara em crianças com idades inferiores a 3 anos e não deve ser obrigatória nas crianças em idade pré-escolar e escolar”, salienta Teresa Bandeira, que deixa um aviso:  “A utilização correta é fundamental, caso contrário pode tornar-se num dispositivo que cria uma falsa segurança e aumenta o risco de contágio”. Ou seja, mesmo não sendo obrigatório o uso de máscaras em crianças com menos de dez anos, estes instrumentos de proteção podem ser usados em segurança entre os três e os dez anos, desde que num tamanho adequado à criança e se sigam as recomendações de utilização de máscaras da Direção-Geral da Saúde.

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Avaliação do Polígrafo:

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