Depois de referir a tendência de descida na incidência cumulativa a 14 dias da Covid-19 em Portugal, Cristina Rodrigues afirmou que o país é “o estado-membro da União Europeia (UE) com menos novos casos por milhão de habitantes e com menos mortes diárias do que a média europeia, resultado do esforço coletivo que tem sido feito”. Ainda assim, alertou a deputada, “em matéria de vacinação, 91% da população portuguesa ainda não tomou qualquer dose da vacina. Sabemos que, para conseguir atingir o objetivo de vacinar 70% da população até ao final do verão, é necessário triplicar a atual capacidade”, concluiu a antiga parlamentar do PAN.

Confirmam-se estes valores?

Até ao momento, já foram administradas em Portugal 1.434.044 doses da vacina contra a covid-19, conforme dados disponibilizados no portal da Direção-Geral da Saúde (DGS). Mas como estão a ser aplicadas estas doses? E que grupos estão a ser privilegiados?

Os últimos números disponibilizados pelo Ministério da Saúde (MS), relativos ao relatório de dia 21 de março, revelam que 9% (942.825) dos portugueses receberam, pelo menos, a primeira dose da vacina contra a covid-19. Por outro lado, apenas cerca de 5% (471.204) da população foi vacinada com as duas doses – ou seja, está completamente inoculada. Ora, estes valores confirmam os dados acima apresentados: cerca de 95% da população ainda não tem o esquema vacinal completo e 91% dos cidadãos continua sem ter tomado qualquer dose da vacina.

O atual ritmo de vacinação, de cerca de 27 mil doses por dias, como indicam os dados fornecidos pelo site de estatísticas online de Oxford, Our World In Data, não é suficiente para atingir o objetivo de vacinar 70% dos adultos até ao final do verão deste ano. Assim sendo, a afirmação de Cristina Rodrigues é factual e confirma-se que, para cumprir esse plano, Portugal precisaria de triplicar a capacidade de vacinação, ou seja, inocular cerca de 90.000 doses por dia. Se assim se verificar, conseguimos contrariar as estatísticas que atiram o final deste processo para junho de 2022.

Dados enviados ao Polígrafo pelo grupo de trabalho (ou task force) do Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19, relativos ao dia 21 de março, revelam que a vacinação se tem focado, essencialmente, nos profissionais e residentes em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) e da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), assim como na população com mais de 80 anos de idade. Neste último grupo, a percentagem de cidadãos com pelo menos uma dose da vacina já é superior a 61%. Os dados do relatório da DGS, divulgados esta terça-feira, apontam para mais de 620 mil doses administradas nesta faixa etária.

Quanto aos profissionais de saúde no SNS, são 122 mil os vacinados com uma dose e 50.500 os totalmente inoculados. Segundo a última atualização do Plano de Vacinação, até ao final deste mês deverão estar vacinados “cerca de 100 mil profissionais de saúde (90 mil já com as duas tomas), 50 mil do setor privado e social (30 mil com vacinação completa), 41 mil profissionais prioritários, como forças armadas e bombeiros (21 mil com as duas tomas) e 200 mil residentes e profissionais com vacinação completa dos ERPI e da RNCCI”.

Cruzando estas previsões com os dados fornecidos pela task force, verificamos que os profissionais de saúde do SNS e os residentes e profissionais dos ERPI e da RNCCI são os mais atrasados no que respeita ao esquema vacinal completo: neste último grupo, restam cerca de 30.000 cidadãos para atingir o objetivo. No caso dos profissionais de saúde as contas não são tão lineares, uma vez que neste universo estão também incluídos os profissionais do setor privado, cujos dados relativos à vacinação completa não foram disponibilizados.

Em suma, é verdade que, três meses depois do início do processo de vacinação, 91% da população portuguesa permanece sem ter tomado qualquer dose da vacina contra a covid-19. Mais, é também verdade que, para conseguirmos atingir o objetivo estabelecido para a camada adulta, será necessário triplicar o ritmo atual de vacinação, como de resto alertou a deputada Cristina Rodrigues.

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