O Parlamento debate e vota hoje, dia 5 de janeiro, a moção de censura ao Governo apresentada pela Iniciativa Liberal (IL), depois dos vários casos que, nas últimas semanas, envolveram e levaram à demissão de vários membros do Executivo de António Costa.

João Cotrim Figueiredo começou a intervenção a apelar à mudança de Governo. "Perante as evidências destes nove meses de maioria absoluta, já não acreditamos que este Governo seja capaz de renovar-se e de arrepiar caminho", defendeu. Após citar vários dados estatísticos que colocam Portugal em níveis de desenvolvimento inferiores ao de países como a Roménia, o líder da IL virou-se para os jovens:

"Com tudo isto, não admira que os nossos mais jovens e mais qualificados emigrem em massa. Portugal tem hoje mais de 20% da sua população a viver fora de Portugal. Que é a maior percentagem de toda a União Europeia. E o problema é que esses emigrantes já não querem voltar, ou melhor, já não vêm motivos para voltar."

A informação apresentada por Cotrim de Figueiredo corresponde à verdade?

Sim. Um relatório de 2021 elaborado pelo Observatório da Emigração, com dados referentes a 2019, aponta para uma taxa de emigração de 26%. "Não sendo, em termos absolutos, um dos grandes países de emigração, como o México ou a Índia, com mais de 11 milhões de emigrantes cada, Portugal era, em 2019, o 26.º país do mundo com mais nascidos no território nacional a viver no estrangeiro", indica-se no estudo.

Olhando para o quadro europeu, destacado pelo deputado da IL, no mesmo estudo revela-se que Portugal era, em 2019, "o primeiro país da UE com mais emigrantes em percentagem da população (25.7%)". E informa-se que a conjugação de alta emigração e baixa imigração, em termos acumulados, "situava Portugal no conjunto dos países europeus de repulsão, onde se encontravam também a Lituânia, Roménia, Bulgária e Polónia".

Ou seja, a afirmação de João Cotrim de Figueiredo corresponde à realidade migratória atual. Portugal é o país da UE com uma maior percentagem de população emigrada.

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