O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Cotrim de Figueiredo “não exclui” apoio a Ventura na segunda volta, mas há dois meses garantiu que “nunca” o apoiaria?

Política
O que está em causa?
O eurodeputado liberal começou a manhã de segunda-feira a admitir a possibilidade de apoiar o líder do Chega numa eventual segunda volta em que não participasse. Mais tarde, face às críticas, assumiu que foi “pouco claro”. Porém, há apenas dois meses, o candidato apoiado pelo Iniciativa Liberal tinha sido perentório ao recusar André Ventura.
© Agência Lusa / Miguel Pereira da Silva

Na manhã desta segunda-feira, numa ação de campanha no Fundão, João Cotrim de Figueiredo admitiu a possibilidade de apoiar André Ventura caso ficasse fora da segunda volta das eleições presidenciais. “Não excluo qualquer candidato. Teria de fazer uma reflexão muito profunda sobre de que candidatos vamos estar a falar. O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conheci. Quer dizer que se moderou o discurso e parece um político diferente”, disse.

Mais tarde, o candidato apoiado pelo Iniciativa Liberal reiterou a sua posição: “Qual é a dúvida desta frase? Não excluo nenhuma hipótese, incluindo André Ventura, incluindo Seguro, incluindo Manuel João Vieira, incluindo não apoiar ninguém.”

As declarações de Cotrim de Figueiredo trouxeram à memória afirmações antigas que agora o contradizem. Numa entrevista à SIC Notícias, em novembro de 2025, ao ser confrontado com um cenário de derrota na primeira volta das eleições presidenciais, Cotrim disse que o único candidato que “nunca” apoiaria seria André Ventura.

“Depende dos dois [candidatos] que forem e das condições políticas que tiverem sido criadas pela própria campanha presidencial. Preferia não me comprometer nesta altura. Podem ser vários, o único que nunca apoiarei é André Ventura”, referiu.

Após a onda de críticas às declarações de hoje, Cotrim de Figueiredo garantiu, através de um vídeo divulgado nas redes sociais, que nunca quis dizer que votaria no líder do Chega. Fui pouco claro, assumo. Gosto de responder sempre às perguntas dos jornalistas. O que disse é que não me comprometia com o apoio a nenhum candidato na segunda volta. É óbvio que não quero André Ventura como Presidente da República”, apontou.

“Acredito que quem vai à segunda volta somos nós. É uma campanha otimista que representa a esperança num futuro melhor para a democracia portuguesa, seguimos juntos. Rumo à segunda volta“, rematou.

______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque