No debate de ontem à tarde na SIC Notícias, João Cotrim de Figueiredo, líder do Iniciativa Liberal, e Inês de Sousa Real, líder do PAN, defenderam estratégias quase opostas relativamente a um problema - as alterações climáticas - que ambos reconhecem e querem tentar resolver, embora com diferentes medidas e graus de prioridade.

Nessa parte da discussão, Cotrim de Figueiredo criticou o que considera ser uma "visão proibicionista" do PAN, extensível aliás a outras matérias. "O PAN não é um partido proibicionista, é um partido responsável", corrigiu Sousa Real. Mas o adversário insistiu nesse ponto: "Diz que não é proibicionista. Eu ainda não vi o programa deste ano, mas o último tinha 38 vezes a palavra proibir, nas 1.200 propostas que na altura tinha".

O Polígrafo analisou o programa do PAN referente às eleições legislativas de 2019 (disponível aqui) e apurou que o verbo "proibir", isoladamente, é utilizado por 14 vezes no total.

Esse número torna-se mais elevado se incluirmos variações do verbo em causa, nomeadamente "proibição" e "proibindo". Sob esse critério mais amplo contabilizámos mais 10 referências no programa do PAN.

Importa porém ter em atenção que a mera contagem do número de vezes que uma determinada palavra é utilizada num programa eleitoral - sem especificar cada qual, ou sem contextualizar - pode induzir em erro.

Por exemplo, na seguinte passagem do programa do PAN - "Recolher dados estatísticos em relação ao nascimento de crianças intersexo e sensibilizar estudantes e profissionais na área da saúde para a proibição das mutilações genitais à nascença de bebés e crianças intersexo" -, verificamos que não se trata de uma proposta de nova "proibição", per se, mas de "recolher dados" e "sensibilizar" para uma "proibição" já inscrita na lei.

No âmbito da utilização mais estrita do verbo "proibir" no programa do PAN, porém, conferimos que as 14 referências correspondem mesmo a 14 propostas de novas proibições.

Cotrim de Figueiredo disse que o programa do PAN, em 2019, "tinha 38 vezes a palavra proibir". Na realidade tinha 14 vezes a palavra "proibir", mais 10 vezes as variações "proibição" e "proibindo", totalizando assim 24 referências.

Pelo que classificamos tal alegação com o carimbo de "impreciso".

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Avaliação do Polígrafo:

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