"Só fazendo a economia crescer é que é possível dar resposta às necessidades de correção dos desiquilíbrios ambientais", argumentou João Cotrim de Figueiredo, líder do Iniciativa Liberal, no debate de quarta-feira frente a Rui Tavares, do Livre. "Todos os países que têm, em relação ao ambiente, políticas avançadas e que têm feito evoluções significativas nesse domínio são países desenvolvidos. É nos países menos desenvolvidos que há as maiores catástrofes e desequilíbrios ambientais. E não é de espantar. Se as pessoas têm necessidades básicas, não vão acudir a outras necessidades que lhes parecem menos evidentes. E são em muitos casos menos evidentes", sublinhou.

Na perspetiva de Cotrim de Figueiredo, "a transição climática é cara" e "precisa de recursos". Como tal, "se vamos desviar recursos para essas atividades", torna-se necessário assegurar todas as "necessidades básicas da nossa população", defendeu.

"O salário médio calculado pelo Insituto Nacional de Estatística (INE) para 2020 foi de 1.314 euros, que paga só em impostos diretos e contribuições para a Segurança Social mais de um terço. E se as pessoas saírem com o que sobra desse salário para a rua e fizerem qualquer coisa, o IVA e os impostos especiais sobre os combustíveis, por exemplo, levam esta carga fiscal a 50%. Isto não é uma sociedade que se possa desenvolver", afirmou.

Estes valores estão corretos?

Em 2020, um português que recebesse o salário médio calculado para esse ano - no valor de 1.314 euros - e que não tivesse filhos, levava para casa apenas 73,4% do seu salário bruto. Segundo as tabelas de retenção do IRS para esse ano, um salário até aos 1.321 euros teria que pagar 15,6%, ou seja, 204,984 euros. E ainda mais 11% para a contribuição da Segurança Social, uma percentagem que é igual para todos os trabalhadores e que, no caso do salário médio, corresponde a 144,54 euros.

Assim, dos 1.314 euros, o trabalhador levou para casa, em 2020, apenas 964,476 euros, deixando nas mãos do Estado uma percentagem de 26,6%. O valor apontado por Cotrim de Figueiredo não está correto. Para que fosse um terço, esta percentagem teria que rondar os 33%. Tal não acontece.

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