Acusado pelo seu oponente, o líder centrista Francisco Rodrigues dos Santos, de se colar ao Bloco de Esquerda em matérias como a eutanásia, a despenalização do aborto, a legalização da prostituição, a descriminalização do consumo de drogas leves ou ainda em questões de identidade de género, João Cotrim de Figueiredo refutou quaisquer semelhanças, afirmando:

"Nós somos parecidos com os liberais que há em todos os países, que são liberais na economia, na sociedade e na política. Nós não escolhemos quando é que o Estado deve ou não interferir, ou quando é que os grandes poderes devem ou não interferir, conforme estejamos a falar de empresas, de sociedade ou da via familiar. Achamos que as pessoas devem ser livres de fazer as suas escolhas em qualquer um destes domínios. Isso é que é ser liberal."

"E para ficar claro: Quando é que deve o Estado apoiar e que apoios é que deve dar ou, daqueles que existem, quais é que devem ser cortados?", interveio o jornalista, ao que Cotrim de Figueiredo respondeu: "[O Estado] deve dar todos os apoios que impeçam que as pessoas que não tenham possibilidade de ter uma casa condigna, alimentação condigna ou cuidados de saúde, não fiquem desvalidas. Agora, isso acontece, em países liberais com bom desenvolvimento económico, a uma fração muito pequena da população. Em Portugal, acontece a 20% da população empregada."

Apesar de o ter dito por outras palavras, Cotrim de Figueiredo referia-se ao risco de pobreza em Portugal que, de facto, abrange 20% (ou um quinto) da população portuguesa. Mas será que se trata de população empregada?

Em 2020, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), compilados pela Pordata, mostram que quase 2 milhões de portugueses viviam com menos de 540 euros por mês, ou seja, com rendimentos inferiores ao limiar da pobreza.

Também um relatório divulgado em outubro de 2021 pelo Eurostat, gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE), informou que, no ano de 2020, ainda existiam 96,8 milhões de pessoas na UE em risco de pobreza ou de exclusão social. Um total de 22% da população. A meio da tabela estava Portugal, com os referidos 19,8% da população em risco de pobreza ou de exclusão social.

Estes dados referem-se, contudo, à população global. Quanto à restante, importa ressalvar que, em Portugal e no ano de 2020, só 9,5% da população empregada era considerada pobre, ao contrário do que afirmou Cotrim de Figueiredo.

Do lado oposto da tabela encontramos alguns países nórdicos, conhecidos pelas suas práticas liberais, como a Finlândia (3,1%) que ocupa mesmo o primeiro lugar. Ainda assim, República Checa (3,7%), Bélgica (4,2%), Eslovénia (5%), Croácia (5,1%), Eslováquia (5,2%) e Países Baixos (5,6%) ficam à frente da Noruega (5,9%), Dinamarca (6,2%) e Suécia (7,8%).

Em suma, os dados avançados por Cotrim de Figueiredo não correspondem à realidade da população empregada portuguesa, mas sim ao total da população em risco de pobreza.

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