"A proposta de Rui Rio é uma proposta de quem não tem experiência de ação governativa, porque o que ele propõe é que haja uma espécie de acordo para um Governo provisório de dois anos. O país não precisa de Governos provisórios de dois anos, o país precisa mesmo é de estabilidade durante quatro anos", declarou António Costa, na entrevista que foi transmitida ontem à noite, 27 de dezembro, na CNN Portugal (gravada durante o dia no Palacete de São Bento, a residência oficial do primeiro-ministro).

Sobre esta matéria, o recandidato a primeiro-ministro nas próximas eleições legislativas, agendadas para 30 de janeiro de 2022, ainda acrescentou: "Eu não tenho a menor das dúvidas de que teria sido um primeiro-ministro completamente diferente se não tivesse sido secretário de Estado, se não tivesse sido várias vezes ministro, se não tivesse sido presidente da Câmara [de Lisboa], porque chegar a primeiro-ministro sem experiência governativa é um enorme risco".

"A proposta de Rui Rio é uma proposta de quem não tem experiência de ação governativa. (…) Chegar a primeiro-ministro sem experiência governativa é um enorme risco", realçou António Costa.

É verdade que o atual líder do PSD nunca desempenhou qualquer cargo num Governo?

Do percurso político de Rui Rio destaca-se, em primeiro lugar, a sua eleição como deputado à Assembleia da República pelo círculo eleitoral do Porto, em 1991, cumprindo as VI, VII e VIII legislaturas. Tal como está descrito na sua biografia, disponível na página oficial do PSD, ao longo desse período "teve especial intervenção na Comissão Parlamentar de Economia, Finanças e Plano entre 1991 e 2001, tendo também assumido as funções de porta-voz da bancada social".

Também exerceu as funções de secretário-geral do PSD, durante a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa, e de vice-presidente do PSD, sob as presidências de Durão Barroso, Pedro Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite.

Nas eleições autárquicas de 2002, Rio foi eleito como presidente da Câmara Municipal do Porto pela primeira vez. Conquistou a reeleição em 2005 e 2009, cumprindo um total de três mandatos até ao ano de 2013.

Seguiu-se a ascensão à liderança do PSD, cerca de quatro anos mais tarde, em janeiro de 2018. Também já conquistou duas reeleições como presidente do PSD, em 2020 e em 2021.

Na eleições legislativas de outubro de 2019 voltou a ser eleito deputado à Assembleia da República pelo círculo eleitoral do Porto. E nas próximas eleições legislativas voltará a ser candidato a deputado, além da ambição de se tornar primeiro-ministro, enquanto líder do PSD.

Em suma, apesar da vasta experiência política como autarca, deputado e em cargos dirigentes no PSD, o facto é que Rio nunca chegou a integrar um Governo, mesmo quando o PSD esteve no poder. A afirmação de Costa é factualmente correta.

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