O deputado único e líder do partido Chega não poupou nas palavras ao intervir no debate sobre o "Estado da Nação" e quase todas as críticas tiveram o mesmo alvo: Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna. André Ventura lembrou os recentes distúrbios em Reguengos de Monsaraz para voltar a afirmar que "há um problema" com a comunidade de etnia cigana, não apenas no Alentejo mas também no resto país.

"Reguengos de Monsaraz, mais uma vez tivemos aquilo que o senhor primeiro-ministro insiste em olhar para o lado. A comunidade cigana a viver acima e por fora do Estado de Direito e a fazer aquilo que em todas as zonas do país continua com um sentimento de impunidade a que o país assiste e insiste em não ver. Homens abandonados à sua sorte, um ministro da Administração Interna que só reuniu com o autarca depois de eu próprio ter ido à esquadra da GNR e onde havia dois homens num posto para reagir a centenas e centenas de pessoas", afirmou Ventura, questionando: "Senhor primeiro-ministro, pode hoje dizer que há um problema com a comunidade cigana, não só no Alentejo e no Ribatejo como em muitos outros locais do país, ou vai continuar a olhar para o lado?"

Na mesma intervenção, Ventura abordou também os protestos da PSP e da GNR que reivindicam o direito a um subsídio de risco "digno e justo". "Aqui ao meu lado está o ministro da Administração Interna. Está tão fora da bancada que já quase está ali nas escadas à espera que alguém lhe tire o lugar, que prometeu subsídios de risco aos polícias, mas o que é que deu? 80 euros em 14 meses. 80 euros, depois de uma luta de 20 anos, de subsídio de risco às nossas forças de segurança que este primeiro-ministro teve hoje coragem de vir elogiar. Homens e mulheres que lutam no país todo para conseguirem controlar uma pandemia que não foi criada por ninguém. 80 euros por 14 meses e este senhor ministro ainda está aqui a olhar para mim. É uma vergonha, verdadeiramente, o estado em que está a nação", acusou. "Vai ou não pedir desculpa pelo estado lamentável a que conduziu Portugal?"

Na resposta, o primeiro-ministro António Costa classificou a intervenção do deputado do Chega como "delirante" e apontou para as estatísticas mais recentes em matéria de segurança.

"Primeiro, em 2015, Portugal era classificado como o 11.º país mais seguro do mundo. Hoje felizmente é considerado o quarto país mais seguro do mundo. Nos últimos três anos, o Relatório Anual de Segurança Interna do ano passado é o melhor desde 1989 e a série dos últimos cinco, a melhor de sempre. Terceiro dado, senhor deputado, nos últimos três anos, a redução de área ardida e de fogos é a maior da última década", enumerou Costa.

O Polígrafo consultou o relatório "Global Peace Index 2021" do Institute for Economics & Peace, com dados referentes a 163 países de todo o mundo. De acordo com o referido documento, Portugal baixou este ano uma posição na lista de países mais seguros do mundo e é agora o quarto, logo a seguir à Islândia, Nova Zelândia e Dinamarca.

Quanto ao Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2020, referido por António Costa, informa que "registaram-se em 2020 os valores mais baixos de sempre de criminalidade participada desde que que há registo nestes moldes, o que constitui uma retoma da tendência de decréscimo verificada desde 2009".

O RASI tem sido publicado anualmente desde 1989, daí o ministro Eduardo Cabrita ter afirmado na apresentação do documento, a 30 de março de 2021, que "neste contexto muito especial, nós registamos os mais baixos índices de criminalidade desde que existe Relatório Anual Segurança Interna, desde que o reporte de dados é feito desta forma sistematizada".

De resto, o mesmo relatório indica que "no que respeita à prevenção e combate a incêndios florestais, o ano de 2020 revelou diminuição no número de incêndios rurais mas aumento da área ardida. Foram registadas 9.690 ocorrências (-1.230) que contribuíram para 67.153 hectares (ha) de área ardida (+25.192 ha). Registaram-se seis vítimas mortais entre operacionais. Comparando os valores do ano de 2020 com a média dos últimos 10 anos, regista-se menos 50% de incêndios rurais e menos 51% de área ardida".

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Avaliação do Polígrafo:

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