"Primeiro, nós não nacionalizámos, nós comprámos. E comprámos para prevenir precisamente que aquele privado que lá estava e que não merecia confiança, não daria cabo da TAP no dia em que fosse à falência. Em 2020, as empresas do senhor [David] Neeleman foram caindo em todo o mundo. A TAP salvou-se porque felizmente o Estado estava lá. Porque felizmente o senhor Humberto Pedrosa e o grupo Barranqueiro estavam lá e estamos agora a restruturá-la", disse ontem António Costa, na parte final do debate em que se abordou o problema da TAP, companhia aérea portuguesa que o Estado resgatou no início da pandemia.

Mas estaria Neeleman prestes a falir em 2020?

Quando a TAP foi privatizada no final de 2015, adquirida pelo consórcio Atlantic Gateway, liderado por Neeleman (em parceria com Pedrosa), já se noticiava que a principal empresa compradora estava em "falência técnica".

Mas o facto é que Neeleman permaneceu sempre em atividade ao longo dos anos, somando vários sucessos e fracassos. E nem a pandemia de Covid-19, com efeitos devastadores no setor da aviação em todo o mundo, parece ter derrubado o empresário de dupla nacionalidade brasileira e norte-americana.

Prova disso é que no dia 23 de abril de 2021, a revista "Bloomberg Newsweek" noticiou que Neeleman - classificado como "o mais bem-sucedido empresário do setor da aviação nos EUA" - preparava-se para "lançar uma nova companhia aérea durante uma pandemia global".

Nesse artigo, Neeleman falava sobre a Breeze Airways, nova companhia aérea focada em voos domésticos (nos EUA), sediada em Salt Lake City, Utah, cujo início de operações estava planeado para o Verão desse ano.

E assim se concretizou. Aliás, mais recentemente, a 13 de setembro de 2021, a "Bloomberg" informou que a Breeze Airways tinha acabado de encomendar mais 20 aviões Airbus A220-300 para reforçar a sua frota, avaliados em 1.800 milhões de dólares (cerca de 1.530 milhões de euros, mediante a taxa de câmbio da altura).

A nova encomenda somava-se a "um pedido anterior de 60 aviões", de acordo com um comunicado da empresa citado pela "Bloomberg", salientando também que o modelo de avião será "feito sob medida" e podendo ir até aos 160 lugares.

"Se o Estado não tivesse readquirido 50% do capital [da TAP] depois de ele ter sido alienado já depois da queda do Governo de Passos Coelho [no final de 2015], quando o senhor Neeleman foi à falência em todo o mundo, a TAP tinha ido para o buraco com o senhor Neeleman", declarou António Costa.

Em maio de 2021, o antigo acionista da TAP iniciou as operações com a Breeze Airways. No final do ano, a nova companhia aérea já oferecia rotas entre 16 cidades norte-americanas do Centro-Oeste à Costa Leste, através de 13 aviões regionais da Embraer, sendo que os Airbus A220 vão permitir fazer não apenas rotas domésticas mais longas, como rotas internacionais que, segundo Neeleman, iriam começar em 2022.

Costa disse também que "as empresas do senhor Neeleman foram caindo em todo o mundo", no ano de 2020. Mas aquela que será talvez a sua principal empresa, a companhia aérea brasileira Azul, por exemplo, permanece em atividade e até demonstra interesse em realizar aquisições de outras companhias, por entre planos de expansão das operações.

Numa das respostas de Costa sobre esta matéria, aliás, o primeiro-ministro foi ainda mais longe: "Se o Estado não tivesse readquirido 50% do capital [da TAP] depois de ele ter sido alienado já depois da queda do Governo de Passos Coelho [no final de 2015], quando o senhor Neeleman foi à falência em todo o mundo, a TAP tinha ido para o buraco com o senhor Neeleman".

Resta aplicar um carimbo de "Falso" às declarações em causa.

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