"Se perguntar, relativamente às empresas, que estavam com a corda na garganta, que tinham uma taxa de juro brutal e uma enorme disparidade com os seus concorrentes internacionais, e que olham hoje para a taxa de juro das nossas obrigações, ainda ontem foram colocadas a 0,5% e que estavam acima de 4%… Dir-me-á, isso foi o Banco Central Europeu (BCE). Não, não foi só o BCE. É que a política do BCE já tinha sido invertida em 2012", afirmou o primeiro-ministro António Costa, ontem à noite, no decurso do programa "Circulatura do Quadrado" na TVI24.

António costa

"Nós temos hoje uma taxa de juro que estava a 4% quando nós chegámos ao Governo e agora é de 0,5%, porque conseguimos efetivamente que Portugal saísse do Procedimento por Défice Excessivo, retirar Portugal do lixo das notações internacionais, e devolver confiança para que as taxas de juro hoje sejam mais baixas. Os portugueses vão pagar este ano menos dois mil milhões de euros de juros do que pagavam", destacou Costa, na mesma intervenção.

É verdade que, como disse Costa, a taxa de juro da dívida portuguesa baixou de 4% em 2015 para 0,5% em 2019? Verificação de factos.

De facto, no dia 10 de julho, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) realizou um duplo leilão de dívida de longo prazo, através do qual emitiu 753 milhões de euros em títulos com maturidade em 15 de junho de 2029 (a 10 anos) e 270 milhões em títulos com prazo em 15 de fevereiro de 2045 (a 26 anos). Na emissão a 10 anos, o IGCP acordou pagar uma taxa de juro de 0,51%. Na última emissão de obrigações do Tesouro a 10 anos, efetuada no dia 16 de junho, o IGCP acordara pagar uma taxa de juro de 0,64%.

Ou seja, confirma-se que a taxa de juro da dívida portuguesa (em emissões com prazo de maturidade a 10 anos) está neste momento em cerca de 0,5%, tal como Costa enalteceu no referido programa televisivo.

No entanto, em 2015, ao contrário do que Costa afirmou, a taxa de juro da dívida portuguesa não estava a 4%. Consultando o arquivo de leilões de obrigações do Tesouro, na página do IGCP, verifica-se que a taxa de colocação variou entre um mínimo de 1,4% e um máximo de 3,5%, não alcançando os referidos 4%.

Aliás, no final de 2015, quando o atual Governo do PS (liderado por Costa) assumiu funções, a taxa de juro da dívida portuguesa estava em cerca de 2,5%. As yields das obrigações do Tesouro português no prazo de referência, a 10 anos, desceram, no mercado secundário, de 2,69% no final de 2014 para 2,54% no final de 2015, uma redução de 13 pontos base. Em meados de março de 2015 chegaram a descer para um mínimo histórico de 1,5%, em virtude do efeito imediato do lançamento do programa de compra de dívida pública no mercado secundário pelo BCE.

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