"Do que o país precisa é de estabilidade, para poder ter as políticas certas e para cumprir a ambição. A ambição, quando Rui Tavares diz 'a sua geração preocupou-se com a média da União Europeia', quem nos dera a nós estarmos junto da média europeia em matéria de rendimentos. Como todos os portugueses sabem, infelizmente, nós estamos muito aquém", começou por explicar António Costa, secretário-geral do PS, numa intervenção que rapidamente se desdobrou em elogios ao próprio Governo.

"Tivemos uma enorme subida de 40% no salário mínimo nacional, o rendimento global das famílias subiu 25% nos últimos quatro anos, mas se nós quisemos alcançar aquilo que é o peso dos salários na riqueza que o país produz, temos ainda que aumentar 20% dos salários nos próximos quatro anos", afirmou Costa, reconhecendo ainda assim que é uma visão pouco realista.

Dos números elencados por Costa, já conhecemos o aumento do salário mínimo nacional para 705 euros que representou o maior aumento de sempre, num total de 40% em seis anos. Ainda assim, a subida de 25% no rendimento global das famílias parece não bater certo com os dados que estão compilados na Pordata.

De acordo com esses dados (provenientes do Instituto Nacional de Estatística), o rendimento médio disponível das famílias aumentou de 30.094,7 euros em 2015 para 31.246,2 euros em 2016, no primeiro ano completo de Costa nas funções de primeiro-ministro.

No entanto, segundo a declaração em causa do primeiro-ministro, o aumento de 25% terá sido registado nos últimos quatro anos. Ou seja, entre 2016 e 2020.

Em 2016, como já referimos, o rendimento médio disponível das famílias cifrava-se em 31.246,2 euros e, desde então, não tem parado de subir, embora não ao ritmo indicado por Costa. Quatro anos depois, em 2020, de acordo com os últimos dados disponíveis (e ainda provisórios, ressalve-se), este valor passou a ser de 35.014,5 euros. Contas feitas, estamos perante um aumento global de 3.768,3 euros, correspondente a 12%.

Pelo que concluímos que Costa errou nas contas, ao evocar um aumento do rendimento das famílias de 25% nos últimos quatro anos. Na realidade foi de apenas 12%, representando mais 3.768,3 euros (valor médio) nos bolsos de cada agregado familiar.

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