A pergunta era sobre a não renovação dos contratos de Parcerias Público-Privadas (PPP) no setor da Saúde, mas António Costa preferiu começar por responder "do ponto de vista que mais importa", com números sobre cirurgias e consultas realizadas no SNS em 2019 e 2021.

"Ora bem, se me permite, vamos olhar para a Saúde do ponto de vista que mais importa, que é do ponto de vista das pessoas. No ano passado, em 2021, apesar da pandemia, nós tivemos mais 2.200 cirurgias do que tínhamos tido em 2019. Tivemos mais 3 milhões de consultas nos cuidados de saúde primários do que tínhamos tido em 2019. Tivemos cerca de mais 30 mil consultas hospitalares do que tínhamos tido em 2019", afirmou o líder do PS e recandidato a primeiro-ministro, no debate de ontem na RTP.

Posto isto, enalteceu que "conseguimos ter mais cuidados para as pessoas no SNS" e tentou assim refutar as críticas dos adversários quanto à falta de investimento e recursos, falhas de eficácia e gestão ou a incapacidade de suprir a procura de cuidados de saúde.

Os números apontados estão corretos?

Consultando os dados registados no portal Transparência do SNS, no que respeita às intervenções cirúrgicas nos cuidados de saúde hospitalares, verificamos que até novembro de 2021 (últimos dados apurados) foram realizadas 567.387 cirurgias programadas e 87.324 cirurgias urgentes, perfazendo um total de 654.711 intervenções cirúrgicas.

No período homólogo de 2019 (até ao mês de novembro) foram contabilizadas 560.017 cirurgias programadas e 92.088 cirurgias urgentes, perfazendo um total de 652.105 intervenções cirúrgicas. Ou seja, em 2021, até novembro, registaram-se mais 2.606 intervenções cirúrgicas no SNS, em comparação com o mesmo período de 2019.

Aliás, o aumento do número de cirurgias até novembro de 2021 foi recentemente destacado no portal do SNS, com a informação de que "os dados provisórios mais recentes, a novembro de 2021, continuam a evidenciar a recuperação da atividade assistencial hospitalar, nomeadamente no que se refere à produção cirúrgica, resultado do esforço das entidades hospitalares, observando-se níveis de produção superiores aos registados pré-pandemia. Os dados acumulados a novembro de 2021 demonstram que o SNS havia já realizado um total de 654.711 intervenções cirúrgicas (+23,5% face ao período homólogo de 2020 e +0,4% em relação a novembro 2019), o valor mais elevado desde que há registos".

Quanto ao número de consultas em cuidados de saúde primários, em 2019 registou-se um total de 30.895.384 consultas, tendo escalado para 32.249.819 em 2020 e 35.956.361 em 2021. Ou seja, no último ano realizaram-se mais 5.060.977 consultas em cuidados de saúde primários.

No que concerne ao número de consultas médicas hospitalares, passou de 11.467.087 em novembro de 2019 para 11.499.915 em novembro de 2021. Ou seja, até de novembro de 2021 realizaram-se mais 32.828 consultas hospitalares do que no período homólogo de 2019.

Em suma, de 2019 para 2021 (até novembro, comparando períodos homólogos), registaram-se mais 2.606 intervenções cirúrgicas, mais 5.060.977 consultas em cuidados de saúde primários e mais 32.828 consultas médicas hospitalares.

Costa referiu-se a "mais 2.200 cirurgias", "mais 3 milhões de consultas nos cuidados de saúde primários" e "cerca de mais 30 mil consultas hospitalares". Não acertou exatamente nos números, mas pecou sempre por defeito, o que reforça até o seu argumento de que foram realizadas mais cirurgias e mais consultas.

Pelo que classificamos a alegação do primeiro-ministro como verdadeira, embora não totalmente rigorosa.

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