António Costa criticou, na noite de terça-feira, quem faz política “a andar de helicóptero” para as televisões. No encerramento de um comício do PS em Faro, o Primeiro-Ministro fustigou politicamente o cabeça de lista do PSD, Paulo Rangel, que na manhã da passada terça-feira sobrevoou de helicóptero parte da zona de pinhal do interior de Coimbra e de Leiria.

“Pedro Marques sabe que a vida política não se faz a andar de helicóptero, mas com os pés no chão, cara a cara com as pessoas. A vida política não é um espetáculo para as televisões, não são frases engraçadinhas”, disse António Costa, perante o visível regozijo dos militantes presentes.

Rangel, por seu lado, quando interpelado pelos jornalistas, desvalorizou as críticas: "Este debate é tão infantil posto desta maneira. Quantas vezes viu António Costa de helicóptero?", perguntou Rangel aos jornalistas. "Ele já andou mais vezes do que eu. Por isso recomendo serenidade e elevação para se combater a abstenção."

O helicóptero-gate invadiu as redes sociais. Afinal, Rangel foi o primeiro político português a servir-se de um helicóptero para dar visibilidade aos incêndios que em 2017 mataram mais de 100 portugueses, perguntaram muitos no Facebook. Outros dirigiram ao Polígrafo, através do WhatsApp, pedidos de verificação da informação.

Tal como hoje Costa faz em relação a Rangel, na altura, o seu périplo  foi qualificado pelo PCP de um episódio de “propaganda”, enquanto Rui Rio o apelidou de uma ação de “marketing".

A resposta é negativa. Em 24 de março de 2018, o líder do Executivo também se deslocou de helicóptero para participar em três operações de limpeza da floresta nos distritos de Faro, Portalegre e Lisboa. Durante um dia, Costa sobrevoou as zonas, tendo também ido ao terreno (e aqui diferenciando-se de Rangel), no sentido de perceber como estava a decorrer a preparação das áreas verdes para a época de fogos.

As deslocações enquadraram-se no âmbito de uma iniciativa mais global que levou o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e 20 membros do Governo a 21 concelhos de 10 distritos. Naquela altura, os locais mais afetados pelos incêndios de 2017 - os municípios de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos- ficaram de fora do roteiro. A ideia era prevenir nos restantes distritos, a eclosão de nova tragédia. A iniciativa foi noticiada por vários jornais nacionais e locais. Tal como hoje Costa faz em relação a Rangel, na altura, o seu périplo  foi qualificado pelo PCP de um episódio de “propaganda”, enquanto Rui Rio o apelidou de uma ação de “marketing".

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