No texto que está a circular no Facebook alerta-se para “um novo tipo de tecnologia de alteração de DNA, a vacinação de mRNA” que estará presente em algumas das potenciais vacinas contra a Covid-19. Estas alegações baseiam-se num vídeo de uma osteopata norte-americana, Carrie Madej, conhecida pela ampla campanha de divulgação de conteúdos falsos nas redes sociais relacionados com o novo coronavírus.

“Um novo tipo de tecnologia de alteração de DNA, a vacinação de mRNA, está sendo rastreada rapidamente por meio de estudos clínicos. Uma vez injetada, essa nanotecnologia tem como objetivo modificar o DNA do recetor, transformando a pessoa em um organismo geneticamente modificado. Uma vez injetadas, as linhas de células humanas se tornarão propriedade passível de patente de propriedade das empresas de biotecnologia. Esta é a forma definitiva de escravidão humana e atualmente está sendo ordenada por meio do medo e da coerção. As vacinas de mRNA que alteram o DNA são escravidão fisiológica”, denuncia-se na publicação em causa.

Verdade ou falsidade?

Em artigo publicado no dia 28 de julho de 2020, o Polígrafo já tinha classificado o vídeo de Carrie Madej, no qual se baseia esta nova publicação, como sendo fake news.

A técnica consiste em inserir uma parte dos genes de um determinado patógeno em plasmídeos, moléculas de ácido ribonucleico presentes nas bactérias. Estes plasmídeos são injetados no corpo humano e entram nas células, onde reproduzem partes do agente causador da doença - neste caso, o novo coronvírus - para obter uma resposta imunológica do organismo.

Como tal, as alegações do vídeo (e desta nova publicação baseada no mesmo vídeo) são falsas, na medida em que o código genético modificado é o de uma molécula de uma bactéria e não o de um ser humano.

De acordo com a informação mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicada no dia 2 de outubro de 2020, das várias centenas de potenciais vacinas contra a Covid-19 que se encontram em processo de desenvolvimento, algumas dezenas utilizam, de facto, a tecnologia mRNA. Uma delas, da farmacêutica Moderna Therapeutics, já se encontra na fase III do processo e será testada em cerca de 300 mil voluntários nos Estados Unidos da América (EUA).

Esta decisão surgiu depois de a empresa de biotecnologia ter publicado os resultados da primeira fase de testes na conceituada revista científica "The New England Journal of Medicine", indicando que os 45 voluntários desenvolveram imunidade relativamente ao novo coronavírus.

Segundo a OMS, a grande vantagem deste tipo de vacinas é a potencialidade de agilização da produção em larga escala de vacinas, já que para a produção de vacinas com tecnologia mRNA não é necessária a inserção do agente infeccioso no corpo humano. É, sim, introduzida uma molécula geneticamente modificada que produz uma parte do microorganismo e estimula a produção de defesas contra a infeção que se pretende combater.

Em declarações à agência de notícias Reuters, que efetuou um fact-checking sobre esta questão, Mark Lynas, representante do grupo Alliance for Science da Universidade Cornell, EUA, esclareceu que “nenhum tipo de vacina pode modificar o DNA humano”. O especialista alertou também para a gravidade da propagação deste mito “por parte de ativistas anti-vacinação que pretendem gerar confusão e informação falsa”.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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