"O pânico que se gerou é completamente descabido e irracional. Foi baseado em imagens adulteradas de mortos e caixões, para alguns poderem atacar, política e economicamente, a China. A maldade acabou por prejudicar todo o mundo. Não há vírus que matem e não há medicamentos que matem vírus", indica-se na publicação a circular nas redes sociais.

Mas a lista de acusações não termina aqui."Na idade adulta e na velhice as vacinas podem ser um factor acelerador de outros problemas", garante-se no mesmo texto, onde também se afirma que "a vacina introduz um vírus em estado latente e se não se activar o sistema imunitário não dará pela sua presença e se não provocar infeção não terá utilidade". "Os vírus ajudam na evolução do nosso ADN", é outra das afirmações feitas.

Esta publicação foi denunciada como sendo falsa ou enganadora pelos utilizadores do Facebook. Confirmam-se as acusações feitas no texto?

Em declarações ao Polígrafo, João Júlio Cerqueira, médico especialista de Medicina Geral e Familiar e criador da página Scimed, refuta por completo a alegação analisada. "Seria como dizer que ninguém morre de cancro ou de problemas cardiovasculares, apenas de paragem cardiorrespiratória. Existem dezenas de vírus mortíferos como o Ébola, a raiva, o VIH, a varíola, o dengue, o sarampo, entre outros, que mataram e continuam a matar milhões de pessoas todos os anos. A prova de que os vírus matam é facilmente observada pela diminuição da mortalidade após a introdução de uma vacina", explica.

"Existem dezenas de vírus mortíferos como o Ébola, Raiva, VIH, Varíola, Dengue, Vírus do Sarampo, entre outros, que mataram e continuam a matar milhões de pessoas todos os anos", diz ao Polígrafo João Júlio Cerqueira, médico especialista de Medicina Geral e Familiar.
O especialista assume que a medicina tem sido "muito mais bem sucedida no tratamento de doenças bacterianas do que víricas", mas recorda que "neste momento, já há tratamentos eficazes para a Hepatite C". Ou seja, "se considerarmos as vacinas 'medicamentos', conseguimos ensinar o nosso sistema imunológico a matar vários tipos de vírus". Para João Júlio Cerqueira, "a vacina parece ser a melhor arma contra os vírus, como se tem vindo a perceber relativamente à Covid-19".
É verdade que "os vírus ajudam na evolução do nosso ADN", como se garante na publicação em análise? Para o mesmo especialista, "ajudar" não é o termo mais correto. "Os vírus fazem parte do nosso ADN. Aliás, pensa-se que 8% do nosso ADN é de origem viral. Pode dizer-se que os vírus desempenharam e eventualmente continuarão a desempenhar um papel importante na evolução do ADN, mas a integração do vírus pode ter um efeito positivo, negativo ou neutro."
Como explica João Júlio Cerqueira, "existe um cuidado redobrado no controlo dos efeitos adversos visto que as doses são aplicadas por norma a pessoas saudáveis. É tão importante uma vacina ter poucos efeitos adversos como a sua eficácia na prevenção das infeções para as quais foi desenhada".

Perante a alegação de que as vacinas podem ser um fator acelerador de outros problemas, o médico sublinha que as mesmas "têm efeitos adversos raríssimos" e só se pode analisar esse possível aspecto potencial analisando o problema "especificamente".

vacina coronavirus

Como explica João Júlio Cerqueira, "existe um cuidado redobrado no controlo dos efeitos adversos visto que as doses são aplicadas por norma a pessoas saudáveis. É tão importante uma vacina ter poucos efeitos adversos como a sua eficácia na prevenção das infeções para as quais foi desenhada".

E se o vírus presente na vacina "não ativar o sistema imunitário" e não provocar infeção, a vacina não é eficaz? Cerqueira refuta: "Não. Existem diferentes tipos de vacinas. Algumas introduzem os agentes infecciosos 'atenuados'. Noutras o agente infeccioso está 'inativo'". Por agentes infecciosos entendem-se todos aqueles organismos capazes de produzir doenças infecciosas, como é o caso do SARS-CoV-2.

"E há casos em que é introduzido apenas parte do agente por forma a despertar uma resposta imunológica. Muitas vezes essas vacinas usam 'potenciadores', que são produtos que aumentam a resposta imunológica aos antigénios presentes na vacina [substâncias estranhas ao organismo que desencadeiam a produção de anticorpos], por forma a criar uma imunidade mais duradoura. Portanto, não é necessário 'ativar o vírus'", conclui.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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