“Suécia, sem máscaras, sem confinamento, sem restrições”. A frase faz parte de uma mensagem que se propagou no Facebook e através da qual se enaltece a estratégia da Suécia para enfrentar a pandemia provocava pelo novo coronavírus. 

Na mensagem defende-se também que a não implementação de medidas de confinamento no país nórdico é uma consequência do facto de as respetivas autoridades terem ouvido “especialistas e médicos e não políticos”.

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É verdade que a Suécia não impõe a utilização obrigatória de máscaras, nem confinamento, e permite convívio social sem restrições? 

Anders Tegnell é o epidemiologista chefe da Agência de Saúde Pública (ASP) sueca e o especialista que definiu a estratégia do país para enfrentar a pandemia do SARS-CoV-2. As agências estatais suecas não podem implementar leis, mas podem fazer recomendações ao Governo, como tem acontecido na gestão desta crise.

De acordo com um artigo do "The Local", site informativo sueco (em língua inglesa), a Constituição da Suécia determina que estes organismos são independentes em relação ao Governo, com o objetivo de garantir que as decisões são tomadas com base em conhecimento e experiência, além de limitar a corrupção, na medida em que os ministros não podem ter influência no prcesso de decisão da agências estatais.

Em declarações ao mesmo site informativo, a professora da Universidade de Upssala, Li Bennich-Björkman. explicou que existe "uma linha de divisão estreita no que diz respeito à responsabilidade" e que a mesma se tornou claramente visível na crise provocada pelo coronavírus. Segundo Bennich-Björkman, o Governo tem o seu papel na "liderança" do processo, "mas tem a todo o momento de respeitar os conselhos e a independência das agências".

Em entrevista à estação televisiva "France 24", Anders Tegnell garantiu estar satisfeito com a estratégia adoptada pela Suécia que não incluiu confinamento obrigatório, encerramento da atividade económica e social, nem o uso de máscara, mesmo que apenas em situações em que não seja possível cumprir o distanciamento físico ou social.

"Não defendo proibições ou obrigações em saúde pública. Deve dar-se responsabilidade às pessoas. Distanciamento, teletrabalho, caso seja possível, e ficar em casa se estiver doente são as três medidas em que assenta a nossa estratégia e são mais eficazes do que a máscara, sobre a qual não existe qualquer evidência científica", disse Tegnell na entrevista, aproveitando para sublinhar que a Covid-19 vai durar “muito tempo” e que é preciso “aprender a viver” com a doença. 

A estratégia definida pelo epidemiologista chefe da ASP foi defendida publicamente pelo primeiro-ministro, Stefan Löfven, o qual diz não ter dúvidas de que a política seguida pelo país foi “a correcta”, apesar do elevando número de mortes.. Com mais de 5.800 mortos e 84 mil casos, a Suécia está entre os países mais afetados em proporção da respetiva população - por exemplo, regista 578 óbitos por milhão de habitantes. Ainda assim, os números estão a cair desde junho, em contraste com o que tem acontecido em outros países europeus, como Portugal, França, Espanha ou Alemanha.

"Creio que escolhemos o caminho correto. A estratégia foi a correta: proteger os cidadãos e evitar a transmissão. O mais discutido e que fizemos diferente na Suécia foi não encerrar as escolas. Mas, agora, há muitos que pensam que foi acertado", defendeu em entrevista ao jornal sueco "Dagens Nyheter".

O chefe de Governo apoia igualmente a posição da ASP sueca de não recomendar o uso de máscaras, considerando que esta “não deve ser a ferramenta principal”. Para o primeiro-ministro sueco, “o importante é manter a distância social".

No site da ASP sueca indica-se que o uso de máscaras em locais públicos não é recomendado, uma vez que as “evidências científicas sobre a sua eficácia para o combate à propagação de infeções não são claras”. Ainda assim, a agência reconhece que o uso das mesmas pode ser útil em situações concretas, embora sempre como complemento às recomendações de distanciamento físico ou social e higienização das mãos.

A Agência de Saúde Pública da Suécia considera que o equipamentos de proteção individual geram uma falsa sensação de segurança, já que quem as utiliza pode tocar com mais regularidade na boca, no nariz ou nos olhos. Além disso, teme-se que o “uso de máscara possa encorajar pessoas com sintomas leves a deslocarem-se na comunidade” e, consequentemente, “aumentar o risco de propagação da infeção”.

No entanto, importa ainda salientar que foram implementadas algumas medidas relativas ao convívio social, nomeadamente a proibição de visitas aos lares de idosos.

De acordo com o site criado pelas autoridades suecas para divulgar informação considerada urgente, as reuniões ou encontros públicos podem ter 50 participantes no máximo. Situações que infrinjam a lei podem ser canceladas ou dissolvidas pelas autoridades, ao passo que os respetivos organizadores correm o risco de ser multados ou sentenciados a pena de prisão até até seis meses. Estão igualmente proibidas as viagens não essenciais de pessoas provenientes de países de fora da União Europeia para a Suécia.

Mais, os espaços de restauração devem tomar medidas para evitar a aglomeração de clientes em filas, nas mesas ou nos balcões. As pessoas devem manter pelo menos um metro de distância entre si e é obrigatório que se ofereça álcool gel para desinfetar as mãos, assim como acesso a água e sabão.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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