A mensagem em língua portuguesa é praticamente idêntica à que circula em língua alemã nas redes sociais, alertando para a suposta hospitalização de 10 crianças num hospital da capital da Áustria por problemas de saúde provocados pela máscara. A diferença é que no texto em análise acrescenta-se que já morreram cinco crianças na Europa pelo mesmo motivo.

“Um médico confirma que existem 10 crianças no hospital de Viena com uma infeção fúngica no pulmão por usar a máscara! Forçar os seus filhos a usar uma máscara pode levar a uma acusação por assassinato no pior dos casos… Acorde! Nota: cinco crianças já morreram na Europa devido a problemas derivados do constante uso de máscara”, alega-se na publicação.

crianças máscara

Confirma-se que há crianças internadas em Viena e outras cinco que já morreram na Europa devido à utilização de máscara?

Não encontramos qualquer registo público de crianças internadas em hospitais de Viena devido à utilização de máscara, nem qualquer notícia de fonte credível. À mesma conclusão chegou a plataforma de verificação de factos da AFP em língua alemã, a Faktencheck, que aliás contactou todas as unidades hospitalares com enfermarias infantis na capital austríaca.

De acordo com os dados da Segurança Social da Áustria e da Associação Médica de Viena, existem oito hospitais que cumprem esse requisito na cidade - a Clínica Donaustadt, a Clínica Favoriten, a Clínica Floridsdorf, a Clínica Hietzing, a Clínica Landstrasse, a Clínica Ottakring, o Hospital Geral e o Hospital Infantil Santa Anna -,  sete dos quais são administrados pela Associação de Saúde de Viena.

Marion Wallner, porta-voz da Associação de Saúde de Viena, assegurou à AFP que estas unidades hospitalares não receberam nenhuma criança com uma infeção pulmonar provocada por fungos. No mesmo sentido apontou um responsável do Hospital Infantil Santa Anna.

A AFP contactou outros hospitais da cidade sem enfermarias infantis e todos negaram também ter conhecimento dos alegados casos de crianças internadas por causa da utilização de máscaras.

As denúncias de mortes na Alemanha e em Portugal

Os rumores falsos sobre crianças a morrer devido à utilização de máscara, principalmente na Alemanha, tiveram início em setembro. Uma menina de 13 anos desmaiou dentro do autocarro escolar e acabou por falecer já no hospital em Karlsruhe. Os 32 colegas que a acompanhavam na viagem de regresso a casa receberam apoio psicológico. 

Como o Polígrafo já verificou, a morte da menor foi noticiada no dia 7 de setembro pelo jornal Die Rheinpfalz, um dos mais lidos no Estado alemão de Rheinland-Pfalz. Posteriormente, o mesmo órgão informou que os resultados da autópsia tinham sido inconclusivos, sendo necessários exames complementares. 

Apesar das notícias, a morte da criança não deixou de originar publicações falsas garantindo que as autoridades tinham ordenado mais perícias porque não excluíam que o óbito estivesse relacionado com “falta de oxigénio”. Alegou-se também que tinha havido uma fuga de informação relativa aos resultados da segunda autópsia e que o relatório alegadamente indicava não haver “nenhuma razão médica” para a morte da menor e que esta teria morrido sufocada.

Perante a crescente onda de notícias falsas, na última semana de setembro, a procuradoria local emitiu um comunicado a informar que a causa do óbito não era conhecida e que o resultado e o relatório final não estavam ainda disponíveis. A 20 de outubro, a promotora de Landau, Angelika Mцhlig, anunciou que “de acordo com especialistas forenses, não há evidências de que o uso de máscara possa ter uma relação causal com o óbito”. 

Outros rumores falsos sobre crianças que teriam morrido devido à utilização de máscara surgiram no final de setembro. Num dos casos, a alegada morte de uma outra adolescente de 13 anos foi destacada num vídeo publicado por um negacionista da Covid-19, Bodo Schiffmann, que se recusou a colocar os informadores “na linha de fogo” perante a exigência de divulgação das suas fontes. Schiffmann também falou como se estivesse confirmado que a criança de Karlsruhe falecera devido ao uso de equipamento de proteção individual. 

criança alemã

Também foi Schiffmann quem lançou o rumor de que uma criança com seis anos da cidade de Schweinfurt morrera devido ao mesmo motivo. A propagação da informação enganosa foi tão rápida e viral que a polícia local partilhou um comunicado no Facebook no qual dizia não ter qualquer conhecimento de semelhante ocorrência. 

A morte de outra criança foi mencionada em várias publicações nas redes sociais, indicando que seria a “quarta” vítima infantil do uso prolongado de máscara. O facto é que não existem informações oficiais que confirmem qualquer óbito de menores devido à utilização de máscara.

Também em Portugal surgiu uma publicação falsa na qual se denunciava que a morte de uma criança de 13 anos de idade, durante uma aula na escola em Barcelos, no dia 20 de outubro, teria sido causada pela utilização de máscara. Mais uma vez, como o Polígrafo sinalizou, a informação disponível não demonstrava qualquer relação comprovada entre o óbito e o equipamento de proteção individual. 

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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