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Coordenador económico do programa de Rangel defendeu corte definitivo das reformas em 2011?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Candidato à liderança do PSD, o eurodeputado Paulo Rangel anunciou ontem que Fernando Alexandre será o coordenador da área económica do programa eleitoral. Quase instantaneamente, no Twitter, surgiram publicações a recordar que, em 2011, o professor de Economia terá defendido que o "corte do 14º mês para as reformas acima de 1.500 euros mensais devia ser definitivo".

O eurodeputado Paulo Rangel, proto-candidato à liderança do PSD, anunciou ontem que Miguel Poiares Maduro será o coordenador do programa eleitoral, ao passo que Fernando Alexandre será o coordenador da área económica.

“Boas notícias para a candidatura, para o PSD e para Portugal”, salientou Rangel, no Twitter.

Nessa mesma rede social, Carlos Abreu Amorim, antigo deputado do PSD, elogiou os coordenadores escolhidos por Rangel, publicando a seguinte mensagem: “Miguel Poiares Maduro e Fernando Alexandre à frente da equipa que fará o programa de Governo do PSD, dificilmente se conseguiria melhor!

Mas nem todos concordam, pelo menos no que respeita a Fernando Alexandre. Desde o anúncio de Rangel, aliás, surgiram várias publicações a recordar que, em 2011, o professor de Economia terá defendido que o “corte do 14º mês para as reformas acima de 1.500 euros mensais devia ser definitivo“.

Em causa está uma entrevista de Fernando Alexandre ao jornal “Público” (edição de 21 de novembro de 2011) em que se destaca precisamente essa frase – “corte do 14º mês para as reformas acima de 1.500 euros mensais devia ser definitivo” – no título.

Professor de Economia na Universidade do Minho, Fernando Alexandre coordenou o estudo “A Poupança em Portugal” que tinha sido apresentado uma semana antes e motivou a referida entrevista. No que concerne às pensões de reforma proferiu a seguinte afirmação: “Desde o início da crise defendo o corte definitivo do 14.º mês para as reformas acima dos 1.500 euros mensais. Esse corte teria um efeito positivo na redução da despesa da Segurança Social e representaria uma questão de justiça. É que as reformas atuais foram fixadas num período de expectativas demasiado optimistas e estão a ser financiadas por quem está agora a trabalhar e que vai ter um corte brutal no seu rendimento quando se reformar. Este sistema é injusto. É preciso criar um sistema de transição”.

Em publicação no Facebook recorda-se que, em 2013, sob o programa de resgate da "troika", o PS votou contra um corte nas indemnizações por despedimento. Mas em 2021, no Governo, o PS não aceita uma proposta do BE de reversão total desse corte. O Polígrafo verifica.

Na mesma entrevista, questionado sobre se o corte do 13.º e 14.º mês para os funcionários públicos deveria ser temporário, Fernando Alexandre respondeu que “um dos salários deveria ser cortado de forma definitiva. Quando houver condições, os aumentos na função pública deveriam ser feitos com base no mérito. No entanto, o corte de dois meses, para muitas famílias, vai ser brutal”.

De resto, também propôs alterações no modelo do subsídio de desemprego. “Justifica-se que haja uma proteção do Estado para o desemprego, porque há inúmeras situações que o trabalhador não consegue controlar, mas o regime que existe atualmente tem efeitos perversos. A Conta Poupança Desemprego, tal como a propomos, não representa um privatização do sistema. Simplesmente, cada trabalhador desconta para uma conta, e o mesmo acontece à entidade empregadora, pelo que a taxa social única não desaparece, pode é ser mais baixa, se o sistema for eficiente”, explicou.

“Se o trabalhador ficar desempregado, o subsídio é pago a partir dessa conta, e se ficar negativa, o Estado assume esse pagamento. Quando o trabalhador voltar ao ativo, o Estado recupera o saldo negativo. O que não for gasto em situações de desemprego será recebido na reforma. Este sistema responsabiliza mais o trabalhador“, sublinhou. “O que o Governo está a fazer é muito complicado. Na atual conjuntura, reduzir o subsídio de desemprego e a sua duração é muito complicado”.

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Avaliação do Polígrafo:

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