Primeiro, a citação atribuída ao vice-almirante Gouveia e Melo: "Não tomarei a vacina enquanto não tiver a certeza de que grande parte dos portugueses, na sua maioria, estão vacinados. E se for convocado para tal, vou pensar, com três estrelas já ninguém me obriga a vacinar".

Depois, uma interpretação dessa mesma citação isolada: "O que quer que ele tenha dito, disse a verdade. Disse que não se vai vacina, independente[mente] da justificação, com ou sem certeza porque tal será sempre arbitrária ao juízo do próprio, nada mais nada menos: 'Que morram os outros. Morram em vez de mim".

O post é de 2 de abril e foi denunciado como sendo falso ou enganador.

Começando pela citação: foi recolhida a partir de uma entrevista de Gouveia e Melo à Agência Lusa, publicada no dia 18 de março.

"Questionado [sobre] se já tinha tomado a vacina, Gouveia e Melo é peremptório na recusa, 'enquanto não tiver a certeza de que grande parte dos portugueses, na sua maioria, estão vacinados'. E mesmo se for convocado para tal, verá: 'Com três estrelas já ninguém me obriga a vacinar'", lê-se num artigo do jornal "Diário de Notícias" sobre a referida entrevista.

Ora, estas afirmações de Gouveia e Melo foram proferidas no contexto da polémica em torno de vários casos de pessoas que terão sido indevidamente vacinadas, passando à frente de outras pessoas que estavam na lista de grupos prioritários. É nesse sentido que diz recusar ser vacinado antes de ter "a certeza de que grande parte dos portugueses, na sua maioria, estão vacinados".

No mesmo artigo, aliás, logo a seguir à referida citação, aborda-se essa questão das irregularidades na vacinação: "[Gouveia e Melo] defende que o processo de vacinação em Portugal está agora 'mais controlado', após algumas polémicas no arranque, e sugere que a farda de militar 'ajuda' no contacto com os diversos agentes. (…) 'O processo de vacinação está mais controlado, há uma maior consciencialização e responsabilização de todos os atores que estão a participar e, portanto, está a correr relativamente bem. Pode sempre acontecer qualquer coisa e temos de estar atentos, mas não me parece que haja algum problema muito grave ou uma elevada preocupação neste momento. Os grandes problemas são receber as vacinas, administrar as vacinas com regras e que essas regras sejam cumpridas. E isso está a acontecer neste momento', refere".

Por outro lado, o mesmo Gouveia e Melo tem apelado à vacinação e defendido a segurança das vacinas contra a Covid-19. Por exemplo, em entrevista à SIC Notícias, a 17 de março, sublinhou que "a vacinação salva milhares de vidas" e instou "quem vai tomar a vacina que pondere se prefere estar do lado da dúvida ou do lado que salva vidas".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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