"Há uns dias aconteceu uma importante reunião nos Estados Unidos da América, com 165 médicos especialistas, sobre o bicho. Estas foram as conclusões, entre outras: o vírus não se transmite pelo ar, nem por saliva. Os infetados foram pessoas que, previamente, se vacinaram contra a gripe. As vacinas são as que causam as mortes. A maioria dos infetados foram pessoas idosas e outras que tinham diversas patologias prévias, e o conteúdo da vacina agravou mais a situação (…). A quarentena não serve de nada, o distanciamento social não serve de nada, a máscara não serve de anda".

Esta é a transcrição parcial de uma publicação que circula no Facebook e que dá como certo que a propagação do novo coronavírus começou com a administração de vacinas da gripe já contaminadas, em outubro de 2019. A mesma teoria foi publicada pelo jornal online "Las Voces del Pueblo" que se apresenta como "dedicado a notícias sobre a independência da Catalunha e o resto de Espanha", em artigo com o seguinte título: "Pelo menos 5% das vacinas da gripe poderiam estar infetadas com coronavírus" (tradução livre).

covid 19 vacinas gripe

Além disso, num áudio em língua castelhana que circula no WhatsApp e no YouTube, alega-se também que a Covid-19 não chegou à Europa em fevereiro de 2020, mas em outubro do ano passado, precisamente através de vacinas da gripe, tendo permanecido durante meses no sistema nervoso dos infetados, antes de começar a ser transmitido de pessoa para pessoa.

Será que a pandemia de Covid-19 pode estar, de alguma forma, relacionada com o vírus e a vacina da gripe?

A resposta é não.

O Polígrafo questionou Celso Cunha, virologista do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, o qual começou por sublinhar que "qualquer um pode inventar o que quiser, mas é preciso demonstrá-lo".

"Tanto quanto eu sei, as pessoas que fazem essas afirmações contam uma história mais ou menos bem elaborada para depois fazerem uma campanha contra a vacinação", reforçou.

No que diz respeito à contaminação dos fármacos para a gripe, o especialista garante que "o processo de fabrico das vacinas para a gripe exclui, de todo, a hipótese de elas estarem contaminadas com o coronavírus ou algum outro, porque é um processo conhecido, muito seguro e não há contacto com qualquer vírus durante o fabrico das vacinas contra a gripe".

"Essa questão está completamente excluída", não tem dúvidas em assegurar. 

Já sobre a eventual latência do SARS-CoV-2 no organismo humano durante vários meses, Celso Cunha é igualmente assertivo: "Eu não excluo que ele possa alojar-se em algumas células do sistema nervoso central. Já foi descrito que havia lá material genético do vírus, o que não quer dizer que haja vírus. Mas, para um vírus deste tipo se manter latente, isso seria muito pouco provável dadas as suas características, porque é um vírus que tem uma infeção que destrói a célula onde se replica e, portanto, é muito difícil que se mantenha latente numa célula que ele próprio vai destruir".

"Não pode haver, neste momento, nenhuma relação entre a vacina da gripe e o surgimento desta pandemia. Do que sabemos, o vírus saltou a barreira das espécies, do morcego para o homem, diretamente. Essa é a teoria que é atualmente aceite. E parece que todos os dados que temos até agora apontam nesse sentido", concluiu.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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