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Consultora denunciada por Pedro Nuno Santos é a mesma que Governo do PS contratou para implantar novo modelo de avaliação nas ULS?

Política
O que está em causa?
A crítica do líder do PS ao Governo da AD, por ter recorrido a uma consultora privada para elaborar o Plano de Emergência da Saúde, parece ter "telhados de vidro". Um leitor do Polígrafo questiona se "não será esta consultora a mesma empresa que ajudou o Governo do PS a implantar o financiamento 'per capita' das unidades locais de saúde". Verificação de factos.
© Agência Lusa / José Sena Goulão

A polémica em torno da IQVIA surgiu a 1 de junho, na sequência de uma pergunta dirigida por Pedro Nuno Santos ao atual Governo sobre se alguma empresa privada na área da consultoria esteve envolvida na elaboração do Plano de Emergência da Saúde e, como tal, se teve acesso a “dados muito sensíveis” de utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Das questões levantadas, a mais relevante para nós e para mim é saber se esta consultora privada teve acesso a bases de dados muito importantes do SNS, nomeadamente o sistema de informação de doentes e por patologias e por região, porque isto é informação muito relevante para a organização da oferta de cuidados de saúde”, disse o líder do PS perante jornalistas, à margem de uma ação de campanha eleitoral na “Festa da Cereja”, em Resende.

A resposta chegou no dia seguinte com o Ministério da Saúde a admitir que contratou a “IQVIA Solutions, que faz parte da bolsa de consultoras que tem trabalhado com o universo Ministério da Saúde nos últimos anos“.

Mas o secretário-geral do PS não largou este assunto. Considerando que faltavam esclarecimentos, Pedro Nuno Santos insistiu que é preciso saber se a consultora “teve acesso a este tipo de base de dados do SNS que está num sistema que tem grupos privados a operar”.

Entretanto, no contexto desta polémica, um leitor enviou ao Polígrafo a seguinte pergunta: “Não será esta consultora a mesma empresa que ajudou o Governo do PS a implantar o financiamento per capita das unidades locais de saúde”?

De facto, no site da consultora encontra-se um comunicado publicado no dia 6 de fevereiro de 2024, quando o Governo de António Costa (PS) ainda estava em funções, em que se indica que a “IASIST, empresa do Grupo IQVIA, foi selecionada, através de concurso público, para auxiliar o SNS no desenvolvimento de um projeto que visa a utilização de um novo modelo de avaliação da saúde das populações”.

Assim, indica-se no comunicado, seria “possível trabalhar, pela primeira vez em Portugal, dados integrados sobre os percursos dos doentes, analisando os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares num único processo de classificação”.

Mário Martins, diretor-geral da IQVIA Portugal, salientou na mesma nota que com esta abordagem seria possível “perceber melhor o estado de saúde das populações, e prever com exatidão as suas necessidades de curto e médio prazo”, além de que “isso terá um impacto direto no financiamento das instituições num momento em que se anuncia a passagem para uma resposta integrada ao nível nacional, através das ULS – Unidades Locais de Saúde“.

Ora, foi através deste projeto que visava um novo modelo de avaliação que o SNS implantou o financiamento das 31 unidades locais de saúde, definido ao nível per capita e mediante “estratificação pelo risco”. Esta estratificação foi conseguida através deste novo modelo de avaliação que custou 185 mil euros, de acordo com o respetivo contrato publicado no Portal Base.

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Avaliação do Polígrafo:

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