A comunidade brasileira continua a ser a mais representativa dentro do universo da imigração em Portugal e dados de 2024 indicam que corresponde a 31,4% da população residente no país, quase um terço. Neste contexto, uma recente publicação no Instagram realça o crescimento do “número de filhos de brasileiros em Portugal” e aponta para o suposto facto de que “um em cada três bebés em Portugal já nasce de mãe estrangeira”.
Esta última alegação tem fundamento?
Os últimos dados do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) sobre a natalidade em Portugal, facultados ao Polígrafo, revelam que foram contabilizados 89.162 nados-vivos em 2025, dos quais 25.083 com mães estrangeiras. Ou seja, 28,1% do total e não exatamente “um em cada três”.
Das 25.083 crianças nascidas de mães de nacionalidade estrangeira, 9.211 têm ascendência brasileira, mais do que qualquer outro país. Seguem-se as nacionalidades angolana (2.168), cabo-verdiana (1.856), indiana (1.094) e bissau-guineense (1.080).
Em comparação com os dados de 2023, a tendência permanece estável: cerca de 10% dos nascimentos em Portugal são de mães brasileiras, à semelhança de 2025.
A incongruência ocorre pois a publicação baseia-se em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos a 2024, ano em que se verificam 84.642 nascimentos, 56.691 de mães portuguesas e 27.951 de estrangeiras. Ao todo, corresponde a 33% de nados-vivos de mãe estrangeira.
Como a diferença de 28,1% para 33,3% não é muito significativa, optamos pela classificação de “impreciso”.
Vale a pena destacar que, dias depois da publicação ser divulgada, o INE confirmou que em 2025 um terço dos bebés nasceram de mãe estrangeira. Estes serão os dados mais recentes (e uma atualização face ao IRN)… mas não eram conhecidos à data da publicação em análise.
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Nota Editorial: Artigo atualizado às 19h de 1 de maio para acrescentar informação sobre os dados mais recentes do INE. Ainda assim, a publicação avaliada pelo Polígrafo é anterior à publicação dos dados do INE, pelo que antecipou uma estatística ainda desconhecida. Os dados enviados pelo IRN ao Polígrafo eram os únicos disponíveis à data desta avaliação.
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Avaliação do Polígrafo:

