O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Confirma-se que “o PPM é anti-NATO” como o PCP e o Bloco de Esquerda?

Política
O que está em causa?
Luís Montenegro (PSD) criticou Pedro Nuno Santos (PS) por admitir entendimentos com "partidos políticos que defendem que Portugal não deve estar na NATO". Quase instantaneamente, no X/Twitter propagou-se o rumor de que também o PPM, que integra a coligação Aliança Democrática com o PSD e o CDS-PP, "é anti-NATO" ou defende mesmo a saída de Portugal da NATO. Verdadeiro ou falso?

No sábado, 24 de fevereiro, o líder do PSD garantiu que não se aliará a ninguém “que não se identifique com os princípios e os valores da social-democracia e da democracia-cristã”, condenando o PS por admitir entendimentos com partidos anti-NATO.

Segundo reportou a Agência Lusa, num comício da Aliança Democrática (AD) em Lamego, distrito de Viseu, Luís Montenegro criticou o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, pelo seu passado de “incompetência” como ministro e também por admitir entendimentos com “partidos políticos que defendem que Portugal não deve estar na NATO. E até que não deve estar na União Europeia”.

Esta notícia – ou mais concretamente a declaração de Montenegro – gerou uma vaga de comentários no X/Twitter que, em muitos casos, apontam o dedo a um dos parceiros do PSD na coligação AD – o PPM de Gonçalo da Câmara Pereira, supostamente “anti-NATO” tal como o PCP e o Bloco de Esquerda.

Por entre diferentes versões, há quem assegure que o PPM defende mesmo a saída de Portugal da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

Mas na maior parte das publicações opta-se por uma verão mais moderada: o PPM é “anti-NATO”. E prova disso será uma imagem que também está a circular nas redes sociais e que alegadamente retrata uma página do programa eleitoral do PPM.

Tal como o Polígrafo já verificou recentemente, o paradeiro dos programas eleitorais do PPM é incerto. De qualquer modo, a imagem em causa retrata, de facto, uma página de um dos programas eleitorais desse partido que ainda está acessível.

Ou mais precisamente, consiste no “Manifesto Eleitoral do PPM para as eleições legislativas de 5 de junho de 2011”. Há mais de uma década. No qual o PPM defendia “o abandono das missões militares no exterior” e uma “redução significativa do corpo de oficiais”, sublinhando neste âmbito que “Portugal gasta quase 3 mil milhões de euros na Defesa” e “detém também um extenso conjunto de responsabilidades no âmbito da estrutura de Defesa da NATO”.

Além de ser um documento de 2011, estes dois parágrafos não equivalem, de todo, a uma posição “anti-NATO”. Muito menos à proposta de saída de Portugal da NATO.

É um dos pilares do programa económico da Aliança Democrática em 2024: redução gradual da taxa de IRC para 15%. Ao discursar ontem à noite num comício em Faro, o líder do PSD voltou a defender essa prioridade, com o objetivo de atrair investimento e alavancar o crescimento económico. Sem descurar a solidez das contas públicas. Nesse sentido recordou que o Governo de Pedro Passos Coelho reduziu essa taxa "em 2014 e, no final do ano, a receita fiscal em sede de IRC aumentou". Confirma-se?

Por sua vez, no programa do Bloco de Esquerda para as eleições legislativas de 2024 propõe-se literal e assumidamente a “saída de Portugal da NATO e defesa do desarmamento negociado e multilateral”.

Quanto ao programa da CDU (coligação entre PCP e PEV), vai ainda mais longe, ao pugnar mesmo pela dissolução da NATO. Passamos a transcrever: “A dissolução dos blocos político-militares, designadamente da NATO, com a qual o processo de desvinculação do país das suas estruturas deve estar articulada, no quadro do inalienável direito de Portugal decidir da sua saída“.

De resto, importa ter em atenção que o programa eleitoral da AD vincula o PPM.

Mesmo que as posições do PPM em 2011 ou em qualquer outro período eleitoral pudessem ser classificadas como “anti-NATO” (não é o caso daquele manifesto de 2011, voltamos a sublinhar), o facto é que o programa da AD em 2024 foi acordado e conta aliás com contributos do PPM, incluindo as medidas para o setor da Defesa Nacional.

_____________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Fact checks mais recentes