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Confirma-se que o Alentejo “elege oito em 240 deputados” à Assembleia da República?

Política
O que está em causa?
Numa discussão no X/Twitter, para refutar a ideia de que "a prevalência da esquerda na governação portuguesa é em grande parte culpa do Sul" do país que "sempre votou em massa na esquerda, contrapõe-se que o Alentejo "elege oito em 240 deputados". É uma alegação exata?

Num primeiro tweet destaca-se que “o Sul sempre votou em massa na esquerda, incluindo extrema-esquerda do PCP. A prevalência da esquerda na governação portuguesa é em grande parte culpa do Sul”. Em resposta, não sem ironia, ressalva-se que “a prevalência da esquerda na governação portuguesa é em grande parte culpa do Alentejo, que elege oito em 240 deputados“.

O Alentejo “elege oito em 240 deputados”? Não exatamente. Desde logo porque a Assembleia da República é atualmente composta por um total de 230 deputados eleitos, não 240 deputados.

Começaram por ser 250 deputados nas eleições para a Assembleia Constituinte em 1975, aumentou para 263 deputados nas primeiras eleições legislativas em 1976, voltou a baixar para 250 deputados nas legislativas seguintes em 1979 e assim se manteve até 1991, quando se fixou em 230 deputados.

Quanto aos deputados eleitos pelo Alentejo – ou, mais rigorosamente, por círculos eleitorais que abrangem território situado na região do Alentejo -, seriam oito se se somassem apenas os eleitos pelos distritos de Beja (três), Évora (três) e Portalegre (dois). E ressalve-se que já foram mais: nas legislativas de 1991, por exemplo, quando se diminuiu o número de deputados para 230 no total do país, esses três distritos elegeram 11 deputados: quatro em Beja, quatro em Évora e três em Portalegre.

O problema é que o distrito de Setúbal, que elege atualmente um total de 19 deputados, também abrange concelhos (e respetivos territórios) situados no Alentejo. Pelo que uma parte (que não é possível calcular) desses 19 deputados, na prática, são eleitos por residentes dos concelhos alentejanos que integram o círculo eleitoral de Setúbal.

Noutras vertentes da discussão em causa no X/Twitter, importa ressalvar que a “prevalência da esquerda” nos círculos eleitorais de Beja, Évora, Portalegre e Setúbal tem vindo a decair ao longo das últimas décadas.

Nas legislativas de 2025, por exemplo, os distritos de Beja e Évora distribuíram irmãmente os seus mandatos de deputados por PS, Chega e AD, um para cada, deixando o PCP sem representação parlamentar nesses distritos (algo que tinha acontecido pela primeira vez na história da democracia portuguesa em 2024).

Em Portalegre, apenas o Chega e o PS conseguiram eleger um deputado. E em Setúbal, onde o PCP era predominante e depois passou a ser o PS, foi o Chega que elegeu mais deputados (seis) nas legislativas de 2025, em mais um sinal claro de dissipação da “prevalência da esquerda” no Sul, ou nos territórios que fazem parte do Alentejo.

De resto, sublinhe-se que “o Sul” engloba também o Algarve, ou o círculo eleitoral do distrito de Faro, onde tanto o PS como o PSD foram obtendo vitórias alternadas ao longo destas primeiras cinco décadas de democracia. Nessa região não se verifica, historicamente, uma “prevalência da esquerda” nos resultados eleitorais.

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Avaliação do Polígrafo:

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