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Confirma-se que a mortalidade por Covid-19 “passou de quase zero em abril” para “12 por dia no fim de junho”?

Coronavírus
O que está em causa?
Esta semana, a Direção-Geral da Saúde (DGS) recomendou à população que, perante o “aumento da transmissão da Covid-19”, reforce as medidas de prevenção contra a doença. Mas será verdade que a mortalidade relacionada com a mesma terá passado “de quase zero em abril” para “12 por dia no fim de junho”, como se alega nas redes sociais?
© Shutterstock

“Mortalidade Covid passou de quase zero em abril para 12/dia neste fim de junho”, lê-se numa publicação partilhada, esta quarta-feira, na rede social X, ilustrando aquele que estaria a ser o impacto crescente da doença sobre a população portuguesa nas últimas semanas. 

O mesmo post acrescenta ainda que “70% dos óbitos” estarão agora a ocorrer na faixa etária das “pessoas com +80 anos”, pelo que se deixa o seguinte apelo: “Protejam os vossos pais e avós.” Mas estarão estes dados corretos?

Sim. De facto, em entrevista concedida à agência Lusa, publicada na quarta-feira, o epidemiologista Manuel Carmo Gomes, membro da Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19, indicou que o número de mortes no país seria agora de “aproximadamente 12 por dia”, o que representava “um grande aumento relativamente há um mês”, altura em que se contabilizava uma média de cerca de três mortes diárias. 

Ao Polígrafo, o especialista explicou que a contabilização tinha sido feita com base nos mais recentes dados disponibilizados pela DGS à data, referentes à semana de 21 a 27 de junho, em que se registaram os seguintes óbitos diários: sete, nove, 12, 14, 14, 18 e nove. Contas feitas, acrescentou, trata-se de “uma média de 11,9” mortes por dia, à semelhança do que se alega na publicação analisada.

Acresce ainda o facto de os números divulgados pela mesma autoridade de saúde mostrarem que, no mês de abril, o número de óbitos diários relacionados com a doença era, em comparação, bem mais reduzido (entre zero e dois), o que resulta numa média diária, considerando a globalidade do mês, de 0,67 mortes.

A confirmar a tese veiculada no post em causa, um comunicado partilhado na última quinta-feira no site da DGS indica, por sua vez, que, a 30 de junho, a “mortalidade específica por Covid-19 correspondeu a 15 óbitos a 14 dias por milhão de habitantes, tendo ultrapassado os valores máximos obtidos nos últimos inverno e verão”. Um impacto que está a repercutir-se principalmente sobre as faixas etárias mais idosas: “Cerca de 70% dos óbitos ocorreram em pessoas com 80 e mais anos.”

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Avaliação do Polígrafo:

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