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Comparação 2015-22. Desemprego caiu 50%, salário mínimo cresceu 39,6% e transferências para o SNS aumentaram 41,3%?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Destaque também para o crescimento económico que terá passado de 1,5% em 2015 para 5,8% em 2022. A comparação entre o último ano do Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho e o presente ano do Governo PS liderado por António Costa está a ser difundida nas redes sociais, através de uma tabela com os referidos dados.

De um lado da tabela, o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e também Rui Rio (não se entende a inclusão do segundo, na medida em que liderou o PSD entre 2018 e 2022, sem qualquer responsabilidade ao nível governamental), com os dados referentes a 2015, último ano do Governo de coligação PSD/CDS-PP, a saber: 505 euros de salário mínimo nacional, 12,4% de taxa de desemprego, 7.874 milhões de euros em transferências para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e 1,5% de crescimento económico.

Do outro lado da tabela, o atual primeiro-ministro António Costa (que assumiu o cargo pela primeira vez em novembro de 2015), com os dados referentes ao presente ano de 2022, a saber: 705 euros de salário mínimo nacional, 6,1% de taxa de desemprego, 11.126 milhões de euros em transferências para o SNS e 5,8% de crescimento económico.

“Tão simples”, comenta-se numa das publicações desta imagem nas redes sociais, datada de 12 de novembro.

Simples ou não, os dados indicados estão corretos? O Polígrafo verifica.

Começando pelo salário mínimo nacional, de facto, passou de 505 euros em 2015 para 705 euros em 2022, perfazendo assim um aumento global de 39,6%. E no próximo ano, 2023, voltará a subir para 760 euros. Ou seja, mais 255 euros do que em 2015, perfazendo um aumento global de cerca de 50,5%.

No entanto, em termos reais, o aumento exponencial da taxa de inflação em 2022 acabará por neutralizar uma parte considerável desse incremento do valor nominal do salário mínimo desde 2015.

"Nos governos de António Guterres crescemos mais do que nos governos de Cavaco Silva, nos de José Sócrates crescemos mais do que nos de Durão Barroso e Passos Coelho. E agora voltamos a crescer mais do que quando vossas excelências governaram", afirmou ontem o primeiro-ministro em debate na Assembleia da República. Confirma-se?

Quanto à taxa de desemprego, baixou de 12,9% em 2015 para 6,6% em 2021, de acordo com os dados compilados pela Pordata e Instituto Nacional de Estatística (INE). Mais recentemente, o INE informou que “no 3.º trimestre de 2022, a população empregada (4.929,1 mil pessoas) aumentou 0,6% (27,3 mil) em relação ao trimestre anterior e 1,0% (51,0 mil) relativamente ao trimestre homólogo. A taxa de desemprego foi estimada em 5,8%, valor superior em 0,1 p.p. ao do 2.º trimestre de 2022 e inferior em 0,3 p.p. ao do 3.º trimestre de 2021″.

Em novembro de 2015, o mesmo INE tinha apurado que “a taxa de desemprego no 3.º trimestre de 2015 foi de 11,9%. Este valor é igual ao do trimestre anterior e inferior em 1,2 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre homólogo de 2014″.

Apesar das ligeiras discrepâncias nos valores indicados, o facto é que a taxa de desemprego baixou para cerca de metade na comparação entre 2015 e 2022.

No que concerne às transferências para o SNS, de acordo com os dados compilados na página da Direção-Geral do Orçamento (DGO), no âmbito do Orçamento do Estado para 2015 foi executado um valor total de 7.877,5 milhões de euros referente a transferências para o SNS.

Entretanto, no Orçamento do Estado para 2022, as dotações específicas para o setor da Saúde incluem um valor total de 11.011,0 milhões de euros em transferências para o SNS. Ou seja, entre 2015 e 2022 registou-se um aumento de quase 40% no valor das transferências para o SNS, embora em 2022 ainda não se saiba qual o valor realmente executado.

Por fim, o crescimento económico: ao nível da taxa de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB), em 2015 verificou-se um aumento de 1,79%, ao passo que em 2021 registou-se um aumento de 5,48%.

No presente ano de 2022, a última estimativa do Banco de Portugal aponta para um crescimento ainda mais elevado: “A economia portuguesa cresce 6,7% em 2022, continuando a beneficiar da recuperação do turismo e do consumo privado. A evolução da atividade ao longo do ano é marcada pela recuperação do nível pré-pandemia no primeiro trimestre e por um abrandamento posterior, que se traduz numa relativa estabilização do PIB”.

Mais uma vez, apesar das ligeiras discrepâncias nos valores indicados, confirma-se que o crescimento económico em 2022 supera largamente o que tinha sido apurado em 2015.

Aliás, o aumento de 2021 foi o mais elevado desde 1990, sublinhe-se, mas importa ressalvar que a diminuição de 2020 (-8,25%) foi a mais acentuada desde a década de 1950.

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Avaliação do Polígrafo:

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